Nos últimos dias, a Microsoft e a Apple têm trocado de lugares no pódio da maior tecnológica pública do mundo, estando ambas perto de atingir a barreira de um bilião de dólares. A última vez que as duas empresas estiveram tão próximas foi em 2009, altura em que a empresa de Steve Jobs estava a publicitar o iPhone 3GS.

A partir desta altura, a Apple distanciou-se da Microsoft devido à entrada de novos smartphones. A empresa criada por Bill Gates ainda tentou entrar neste mercado, mas a estratégia de adquirir a Nokia falhou redondamente – estima-se que a Microsoft tenha perdido cerca de sete mil milhões de euros com este negócio.

No entanto, parece que a detentora do sistema operativo Windows está a voltar em grande ao mercado financeiro, aproximando-se cada vez mais do seu competidor histórico. E não será uma surpresa se, num futuro próximo, a Microsoft ultrapassar a Apple durante um longo período.

As razões para tal acontecer são relativamente simples de compreender e superam qualquer especulação. A diversificação das áreas de atuação é a principal razão para a Microsoft ter visto crescer a sua capitalização no mercado, o mesmo motivo pelo qual a Apple está a ser penalizada.

Tanto as ferramentas de produtividade (Office e LinkedIn) como os os serviços de cloud têm crescido em vendas. Depois de algum tempo de perdas, a estratégia de Satya Nadella, atual CEO da Microsoft, passava por reinventar a empresa, focando-se nas redes sociais e na computação por cloud. Este novo método parece estar a resultar. No último trimestre, as receitas da rede social profissional aumentaram 33% e a procura pelos serviços do Azure cresceram 76%.

Além disso, a empresa continua a gerar receitas com a sua divisão de bens de consumo, através da consola Xbox e dos relativamente recentes tablets Surface. Mas esta diversificação das áreas de atuação cria uma maior imunidade às mudanças de tendências do mundo tecnológico.

O mesmo não acontece com a Apple, que se tem empenhado em convencer os investidores de que os consumidores vão continuar a comprar as próximas versões do iPhone – segmento que corresponde a 60% das vendas da marca.

Do lado da detentora do Windows, segundo os dados reportados pela CNN, 29% das receitas vem da cloud, 34% de ferramentas de produtividade (como o Office e o LinkedIn) e os restantes 37% de personal computing (que inclui o motor de busca Bing, o braço de gaming, o sistema operativo Windows e os tablets).

Os analistas preveem que as vendas da Apple só aumentem 5% no atual ano fiscal – que acaba em setembro – e que este número seja reduzido para 4% no ano fiscal de 2020. Já do lado da Microsoft espera-se um crescimento de 13% no próximo ano e de 11% daqui a dois anos.

Para além disto, atualmente, as margens de lucro líquidas da empresa criada por Bill Gates são de cerca de 30%, enquanto que as da sua concorrente são de 22.5%.

Por estes motivos, as ações da criadora do iOS só cresceram 6%, um número totalmente abafado pelos 30% conquistados pela Microsoft.

Saliente-se, ainda, que de todas as grandes tecnológicas que têm sido “colocadas debaixo de fogo”, como a Amazon, Google, Twitter (e a Apple), a Microsoft é a única que tem conseguido fugir ao epicentro dos debates.

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