O filantropo e fundador da Microsoft fez uma publicação no seu blog pessoal onde deixou clara a sua posição no combate ao Alzheimer.

“É uma doença terrível que devasta tanto aqueles que a têm como quem os ama. Sei muito sobre este assunto, porque já tive homens na minha família a sofrerem de Alzheimer. Sei o quão terrível é ver pessoas que amamos em dificuldades enquanto a doença lhes rouba a sua capacidade mental.” Esta citação é retirada de uma publicação do blog pessoal de Bill Gates.

Why I’m Digging Deep Into Alzheimer’s” (A razão para eu estar a escavar fundo no Alzheimer) é o título da publicação que deu a conhecer ao mundo a intenção do filantropo e fundador da Microsoft de tentar solucionar um problema que afeta milhões de pessoas no mundo e que, segundo dados apresentados pela Alzheimer’s Disease International, só tem tendência a aumentar.

O investimento anunciado vai ser de cerca de 42,5 milhões de euros (50M dólares) e vai servir para financiar o desenvolvimento e a investigação da doença. A pesquisa vai ser feita pela Dementia Discovery Fund (DDF), uma colaboração lançada pelo departamento de saúde do Reino Unido, por algumas companhias farmacêuticas e pela britânica Alzheimer Research. Para além destes colaboradores, a DDF costuma financiar start-ups que têm abordagens menos convencionais ao tratamento de demência.

A história familiar de Gates não é a única razão para este se juntar à luta contra o Alzheimer. O que fez o fundador da Microsoft associar-se a esta causa foi o facto de ter experienciado o quão inútil as pessoas se sentem quando alguém que amam sofre da doença. Depois de ter havido avanços científicos em doenças que há alguns anos eram dadas como mortais, como a Sida, por exemplo, Gates acredita que há a possibilidade de fazer o mesmo – ou melhor – com o Alzheimer.

Atualmente há cerca de 20 milhões de pessoas a sofrer de Alzheimer em países onde a média salarial é alta. Este número mais que duplica nos países onde os salários são baixos ou correspondem à media. O World Alzheimer Report de 2015 mostra a urgência em atacar o problema visto que até 2050, nos países onde os salários são menores, o número de pessoas com esta doença vai triplicar, fazendo com que o número de pessoas afetadas seja superior a 120 milhões.

E é por isso que este investimento vai ser utilizado para tentar aumentar o conhecimento da comunidade científica, tornando assim possível detetar e diagnosticar mais cedo esta condição.

Questionado pela Reuters sobre o tempo que vai ser necessário para desenvolver um tratamento eficaz, Gates respondeu que o mais provável é “demorar 10 anos antes das novas teorias terem sido experimentadas vezes suficientes para lhes dar uma probabilidade maior de sucesso”, acrescentando que é muito difícil fazer uma previsão. Ainda assim, a esperança do filantropo norte-americano é que nos próximos 10 anos já haja medicamentos para combater a doença.

Apesar de ter uma fundação conjuntamente com a mulher, a The Bill & Melinda Gates Foundation, este investimento foi feito por conta própria, explicando no seu blog que quando aparecer uma cura os valores do tratamento vão ser bastante elevados e que, nessa altura, a fundação vai atuar para tentar levar a tecnologia para os países que não têm acesso à mesma.

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