O diretor executivo da empresa de tecnologia e engenharia fala das apostas da Bee Engineering no mercado português, do caminho percorrido até agora e dos projetos para o o futuro.

Desde 2013, ano em que se instalou em Portugal com a criação de um centro de competências em engenharia dos sistemas de informação, que a Bee Engineering tem focado a sua atuação principal em Outsourcing, Gamificação e Formação. José Leal e Silva, diretor executivo da empresa, analisa o desempenho do último ano e os desafios que mercado nacional de tecnologias enfrenta.

A Bee Engineering atua em outsourcing, gamificação e formação nas áreas de engenharia de software de engenharia de sistemas. Qual a área que tem maior peso na faturação?
O crescimento e atividade da Bee Engineering centram-se na nossa capacidade de mobilizar conhecimento e competências juntos dos clientes, intervindo a diferentes níveis e com serviços de natureza distinta consoante o desafio daqueles. Neste sentido, quer o outsourcing quer a vertente de consulting têm vindo a desempenhar um papel fundamental, permitindo alavancar novas ofertas como é o caso da área de Nearshore (projetos Internacionais desenvolvidos em Portugal), e mais recentemente o GameLAB.

Qual balanço faz da unidade GameLAB que tem um ano de existência? E dos quatro anos de atividade da Bee Engineering em Portugal?
O balanço do GameLAB é positivo e com fortes perspetivas de crescimento para 2018. Trata-se de uma oferta inovadora na forma como é pensada, pois endereçamos a Gamificação do ponto de vista da criação de jogo e não apenas olhando para o lado empresarial e de KPIs. Esta diferença permite assegurar o sucesso para as organizações no retorno do seu investimento, bem como a longevidade das plataformas desenvolvidas graças à aplicação de dinâmicas de jogo que impactam a motivação dos utilizadores.
Quanto à Bee Engineering, estou profundamente orgulhoso do crescimento orgânico efetuado, mas sempre fiel aos valores base com que nos guiamos desde o dia 1. É hoje em dia uma empresa estável, rentável e que assegura de forma inequívoca o progresso profissional e mesmo pessoal dos seus colaboradores.

Porque escolheram Portugal para alojar a unidade GameLAB?
Portugal é um centro Europeu de excelência em termos de conhecimento na área das Tecnologias de Informação e com muitas pessoas que desenvolvem software mas cuja paixão é que esse software fosse um jogo. Na vertente de game development existe uma estrutura ainda jovem, mas com muito valor e com resultados extremamente relevantes na área do gaming, e isso foi muito importante na criação da equipa do GameLAB. Associado a este factor, a dimensão da equipa técnica já existente na Bee Engineering assegurou, desde o primeiro dia, o suporte tecnológico necessário à equipa. Para além disso, e planeando já a oferta nearshore para o resto da Europa, Portugal perspetivou-se como a escolha ideal.

Como carateriza a área de Gamificação e Game Design em Portugal?
Existem muitos bons profissionais em Portugal, mas muitas vezes sem as necessárias oportunidades, devido ao mercado menos propício a Game Development. O mercado de gamificação acaba por se tornar numa oportunidade única para as várias áreas de desenvolvimento de um videojogo demonstrarem todo o seu potencial criando, assim, uma abordagem inovadora nesta área. Existe no mercado alguma oferta assente na Gamificação clássica, mas no que concerne à nova geração, acredito que no GameLAB temos uma abordagem distinta e que traz resultados diferentes e mais duradouros aos clientes.

Que tipo de clientes vos procura?
Existe uma variedade de objectivos que levam as empresas a nos procurar, mas podemos agrupar de, uma forma geral, em estratégias que levem a aumentar vendas, lealdade, retenção, contacto com clientes, produtividade e melhor retorno na formação. Sendo estes objetivos comuns a muitas das empresas em Portugal, até agora, o grosso têm sido com empresas de formação, área financeira, retalho e serviços.
Se pensarmos em Game Design, até à data, o trabalho tem sido mais com agência criativas para desenvolvimento de jogos associados a campanhas, ou então, com empresas cuja oferta é direcionada ao consumidor final e que precisam de ajuda na retenção de cada um desses clientes, o que pode ser obtido envolvendo-os num jogo desenvolvido à medida dessas necessidades.

Quais os objetivos da empresa para este e o próximo ano?
Do ponto de vista estratégico, a expansão para outras geografias europeias é uma prioridade e está já em curso. O crescimento do GameLAB, também alavancado na expansão geográfica, é outro dos pontos a atingir. Do ponto de vista numérico, superar os 20% de crescimento ultrapassando os 4.6 milhões de euros é o objetivo de 2018

 2018 será o ano da aposta na expansão internacional. Qual a estratégia que têm pensado neste sentido?
A estratégia passa por associar o conhecimento das pessoas seniores em Portugal a estruturas que serão criadas localmente, potenciando a transição de conhecimento e cultura entre elas.

Em outubro do ano passado, foram reconhecidos como uma das “100 Melhores Empresas para Trabalhar”, através do estudo da AESE Business School, Exame e everis. O que têm feito para manter as boas práticas na estrutura interna?
Uma das ações que se tem mantido como basilar, tem sido a de ouvir toda a nossa equipa e, dentro do que é possível, adaptar a empresa à sua equipa atual, ao mesmo tempo que se propaga a génese cultural inicial por cada vez mais elementos, que têm depois a responsabilidade de a propagar aos restantes. Já do ponto de vista processual, o crescimento obriga a um rigor cada vez maior de forma a ser possível manter o mesmo grau de qualidade, rapidez e proximidade que existia numa empresa mais pequena. Nesse sentido, e para que nada fique esquecido, o ano de 2018 é também o ano em que apostamos na certificação ISO 9001.

Quais as maiores dificuldades das empresas portuguesas na Era da Transformação Digital? E quais os desafios?
Do nosso ponto de vista, para além das dificuldades em adaptar os processos e o negócio à transformação existente, o maior desafio poderá passar por alterar os comportamentos das pessoas e moldar a sua forma de atuar face a uma nova realidade. A transformação digital leva a uma forma diferente de as pessoas interagirem com a tecnologia, o que, por sua vez, altera os seus comportamentos, formas de consumo e até mesmo hábitos de consumo. Por esta razão, as empresas que não se adaptarem estes “novos clientes” poderão ter pela frente enormes desafios à sua sobrevivência num mercado que muda constantemente e cada vez mais rapidamente.

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