Estou aqui em nome pessoal, tentando partilhar a minha experiência profissional, de modo a que cada vez mais empreendedores consigam levar as suas empresas mais além, na segurança de que não existem receitas, de que cada caso é um caso e de que a sorte é fundamental… ainda que sempre, e só sempre, aliada a muito, muito trabalho.

Do que tenho visto nos últimos tempos em Portugal, cada vez mais gente que sai das universidades, que perde os seus empregos ou que quer sair da sua zona de conforto, arrisca (notar que a palavra arrisca tem em si a palavra RISCO) dar vida à sua ideia, passando de empregado a empreendedor.

Empreendedor é hoje a palavra glamourosa para o que, antigamente, se denominava de empresário. Empreendedor/Empresário é aquele que sai da sua zona de conforto, arriscando a sua estabilidade (e, na maioria das vezes, todos os seus bens), para criar a sua empresa, procurando assim gerar riqueza e emprego.

Tivéssemos nós nesta geração (tipicamente uma geração é um período de cerca de 30 anos) um empreendedor com sucesso a cada ano que passa, como Belmiro de Azevedo, Dionísio Pestana, etc. tiveram na sua geração, e teríamos, no final, 30 novas empresas com uma dimensão tal, que levaria a economia portuguesa a um patamar sem ímpar na nossa história.

Bastava 1 empreendedor, 1 empresa por ano, durante cada ano dos 30 anos de uma geração.

Sendo assim, devemos concentrar o nosso esforço nos melhores empreendedores, nas mais “saudáveis” empresas, alimentando-as de modo a crescerem, internacionalizarem-se, criando riqueza (quer pelos impostos, quer pelo ecossistema de empresas que se cria à sua volta) e emprego, sobretudo em Portugal.

Sei que, culturalmente, estamos habituados a ajudar tudo e todos (vejam-se os inúmeros programas de apoio a PMEs). Mas é um facto que empresas que são PMEs durante toda a sua vida e que vivem de financiamentos, são apenas mortos-vivos que consomem o “alimento” das empresas saudáveis e com enorme potencial de crescimento, morrendo todas e deixando milhares de pessoas no desemprego.

Tal como na guerra, primeiro curem-se os feridos, depois enterrem-se os mortos!

Foquemos os esforços e os recursos nessas empresas líderes, ajudemo-las a crescer, para depois podermos colher o fruto da riqueza por estas criado, de modo a que, com essa mesma riqueza, possamos dar alentos aos novos empreendedores, a cada ano que passa, durante cada uma das gerações.

Para usar o exemplo da SONAE que conheço relativamente bem, se cada um dos novos empreendedores criasse uma SONAE por ano (só uma apenas em TODO o Portugal) durante os próximos 30 anos, teríamos, no final desses 30 anos, cerca de 180 biliões de faturação e um total de cerca de 1,5 milhões mais de empregados.

…e basta só 1 empresa e 1 empreendedor a cada ano.

Para tal, temos de, enquanto Estado, ter a coragem de fazer as apostas certas, para depois colher o benefício para todos… Riqueza/Impostos e Emprego/Salário.

O papel do Link To Leaders é contribuir para ajudar tanto os empreendedores (através da partilha da experiência, do networking, etc.), como os governantes, na escolha seletiva dos melhores Empreendedores e das Empresas mais saudáveis e deixá-los VOAR!!!

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Sobre o autor

Rui Paiva

Rui Paiva é Presidente Executivo da WeDo Technologies e COO da SSI - Software and Technology. É membro da Comissão Executiva da BizDirect, Saphety, SSI Sonae Serviços Partilhados e, mais recentemente, da empresa S21Sec, com sede em Espanha. Antes de... Ler Mais