Nesta fase de transformação digital nas organizações, em que tudo e todos devem acompanhar as mudanças e adaptações tecnológicas e processuais, as organizações enfrentam diversos desafios inerentes ao fator mudança.

Entre eles está a inadaptação dos colaboradores às novas normas, processos e ferramentas de trabalho, bem como a existência de problemas na definição dos processos das organizações (e consequente falha na sua transformação), sendo esta última umas das principais falhas no processo  de transformação digital na maioria das empresas.

Pela minha experiência, a base de uma boa transformação e consequente automação de processos é o histórico associado aos mesmos, designadamente, os inputs dos colaboradores, que, com o seu conhecimento aliado a uma base tecnológica, resultam numa combinação perfeita. Esta última é uma questão de escolha ou preferência pelo fabricante de software/tecnologia a utilizar, dependendo do fator financeiro inerente ao investimento a realizar na organização. Mas insisto. É fundamental garantir a análise funcional dos processos na organização, sendo esse fator determinante no sucesso ou insucesso da transformação a aplicar.

Numa altura em que tudo se baseia em automatismos, inteligência artificial, machine learning, big data e outras abordagens, que inevitavelmente serão parte integrante das organizações num futuro próximo, poucos ainda perceberam que este próximo passo é vantajoso para ambas as partes: as empresas e colaboradores. Muita resistência tem acontecido, e muito se tem escrito acerca do impacto que estas mudanças trarão ao mercado de trabalho e, deixem-me que vos diga, no geral as organizações necessitarão de mais colaboradores para suportar esta nova era do futuro. Acrescento, novos postos de trabalho e novas funções irão surgir com esta nova abordagem, e apenas os mais resistentes à mudança não irão “sobreviver” a este novo mercado de trabalho.

Alguns colaboradores acreditam na falsa ideia que as automatizações são feitas sem os inputs deles próprios, e por desconhecimento, julgam que não são necessários para ajudar a implementar, aperfeiçoar e manter todos os novos processos no âmbito desta transformação – é um erro – pois os processos de qualidade, manutenção de sistemas e implementação de tarefas complexas continuarão a ser desempenhadas por seres humanos e a ter os seus inputs. Serão criados novos postos de trabalho, exigindo novas competências, e portanto, desengane-se quem julga que as organizações irão funcionar com robots no seu core business e na sua estrutura. Citando um antigo professor meu de sociologia (António Moniz), “Os portugueses devem elevar as qualificações para aprender novas funções.”.

É natural que automatizações de processos minimizem erros e introduzam também uma melhoria substancial da produtividade, no entanto, são só vantagens para que os colaboradores se possam focar naquilo que é realmente relevante e vantajoso na organização. Por exemplo, se nos focarmos na área da indústria, a introdução da robótica trará grandes vantagens, designadamente a nível da redução de acidentes de trabalho em postos de trabalho mais perigosos, aliando a otimização dos processos à diminuição do número de acidentes. No entanto, quem será o responsável pelas ações dos robots?

Termino com uma frase de Leon C. Megginson que resume o meu ponto de vista: “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças” (original: “According to Darwin’s Origin of Species, it is not the most intellectual of the species that survives; it is not the strongest that survives; but the species that survives is the one that is able best to adapt and adjust to the changing environment in which it finds itself.”).

Comentários

Sobre o autor

Ricardo Lima Neves

Ricardo Lima Neves é responsável da equipa de IT Service Management & Automation da área de Engenharia do Cliente (B2B) na Altice e também IT Service Management Advisor na Winprovit. Ricardo é mestre de Engenharia Informática pela Universidade Nova de... Ler Mais