Gwyneth Paltrow, de 46 anos, criou a sua empresa em 2008 e, desde então, construiu um negócio avaliado em 250 milhões de dólares (222 milhões de euros). Numa entrevista ao programa de televisão norte-americano Today, falou dos desafios que encontrou pelo caminho.

Os tempos de Hollywood ficaram para trás na vida de Gwyneth Paltrow. Cansada da vida de atriz, a norte-americana decidiu procurar inspiração no mundo dos negócios. Em 2008, fundou a Goop. O que começou como uma newsletter semanal com dicas de receitas, viagens e compras, é hoje uma empresa avaliada em 250 milhões de dólares (222 milhões de euros). Fazem parte da Goop um portal de notícias de saúde, um hub de publicidade, uma editora, uma empresa de beleza, uma produtora de podcasts e uma fabricante de roupas.

A sua empresa é uma das marcas de bem-estar mais controversas dos Estados Unidos. Alvo de críticas constantes, a Goop é acusada por médicos de propagar pseudociência. Recentemente, teve de fazer um acordo na justiça e pagar 145 mil dólares (129 mil euros) para encerrar um processo movido por publicidade enganosa.

“Adoram dizer que a Goop é polémica. É mesmo? Por falar da saúde sexual das mulheres? Do empoderamento feminino? É daí que partem boa parte das controvérsias”, explica Paltrow numa entrevista ao Today. Apesar de toda a polémica em que está envolvida, a Goop mantém um ritmo de crescimento acelerado. Em 2018, a faturação duplicou em relação ao ano anterior.

Da falta de experiência até à liderança
O interesse pela secção de negócios do The New York Times já dava uma pista, que foi confirmada aos 36 anos com o lançamento da Goop. Começou do zero e sem qualquer preparação formal. “Senti-me uma impostora quando fundei a Goop. Tinha tanto para aprender”, diz. “Não tinha feito nenhum MBA e nem sequer  tinha terminado a faculdade”, conta.

No início, as dificuldades que sentia iam das questões estratégicas às mais triviais. “Tinha medo, mas hoje pergunto o que não sei. Precisamos de mais líderes vulneráveis nos negócios. Não se mede a inteligência de uma pessoa pelo número de perguntas que precisa (ou não) de fazer”, frisa.

Paltrow passou os primeiros sete anos da empresa sem liderar o negócio. Foi preciso um empurrão para que assumisse finalmente o lugar de CEO. “Aconteceu quando tinha de acontecer. Uma amiga minha que trabalha com venture capital incentivou-me a assumir o cargo”, conta, revelando que ainda perguntam ‘qual é o homem que lidera de verdade a Goop?’. “É triste, mas não surpreendente”, afirma.

Paltrow sentia que tinha de agradar a todos. “Estou a tentar deixar de ser assim. Muitas mulheres na nossa cultura são criadas para serem sempre agradáveis”, diz.

Processos na justiça
No centro de diversas polémicas, a Goop foi processada recentemente por fazer uma publicidade enganosa de ovos vaginais e de um óleo que a empresa dizia que ajudava a prevenir a depressão. A empresária reconhece o erro. “Não compreendíamos que não podíamos fazer certas afirmações”, esclarece Paltrow. Segundo a empreendedora, a “dolorosa” lição foi aprendida.

Desde então, a executiva diz ter contratado uma equipa especializada em regulamentação e cientistas, além de advogados, para a Goop. “Estamos à frente na nossa área. Queremos produzir e vender produtos que fazem o que prometem”, acrescenta.

Paltrow abraçou a vida de empresária, mas procura sempre equilibrar a vida profissional e a pessoal. Todos os anos, em agosto, a empreendedora fecha a empresa durante duas semanas. E faz parte do clube das mulheres que às 16 horas já está em casa, de onde continua a trabalhar, mas perto dos filhos.

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