“Se você não pode mudar seu destino, mude sua atitude!” – Amy Tan, escritora norte-americana.

Há dias o meu colega de ginásio, o Paulo, indagou-me quando sairia o próximo artigo, que por acaso é este. Respondi-lhe que já tinha tudo alinhavado e que sairia brevemente. Este artigo começa, efetivamente, no ginásio, enquanto eu fazia a última série de repetições em banco de Rosca Scott com barra em W e quase já não tinha forças para completar o exercício. Efetivamente, a experiência mostra-me que a partir do momento em que entramos no ginásio até ao ultimo exercício temos sempre uma das duas atitudes: ou vou dar o meu máximo ou então vou passear entre as máquinas.

Não há dúvidas de que o nosso comportamento face às diversas situações com que somos confrontados no dia-a-dia, seja no ambiente familiar, seja profissional, desportivo, artes ou religião, vai depender, em grande parte, da nossa atitude face à referida situação.

Da mesma forma, as nossas perceções e escolhas dependem muito da nossa atitude. Parece óbvio. Menos óbvio pode ser a consciência de que perante o mesmo problema organizacional, duas pessoas que consideramos diferentes, terão posturas e comportamento diferentes, fazendo com que o problema seja ampliado ou resolvido. Objetivamente, numa organização existem colaboradores cuja atitude os enquadra no grupo dos que fazem parte dos problemas ou no grupo dos que fazem parte das soluções.

Os primeiros não só não ajudam a resolver o problema, como vão criando novos problemas à medida que vamos arranjando soluções, até ao momento em que é preciso dizer basta e sentem-se vitimizados, incompreendidos. Já no outro tipo, a sua atitude é logo de ajudar a encontrar uma solução e vão procurando alternativas a cada desafio.

Porque é que não temos todos uma atitude positiva e de ajuda na resolução dos problemas? Certamente não temos resposta, mas acredito que é possível algumas pessoas mudarem a sua atitude ou a sua mente, aquilo que os gregos chamam de metanoia. Segundo a definição, atitude é uma norma de procedimento que leva a um determinado comportamento. Assim, acreditamos que é possível alterar a norma de procedimento que nos leva a agir de determinada forma perante uma determinada situação.

Qual a nossa atitude, ou seja, qual é a nossa norma de procedimento perante o nosso superior hierárquico ou subordinados? São considerados nossos parceiros ou são algo bem diferente disso? Qual a nossa atitude perante o trabalho? E a preguiça? E os nossos fracassos, são causados pelos outros? E os nossos sucessos, dependem apenas do nosso esforço? Trabalhamos porque somos obrigados e é a única forma de termos recursos para a nossa sobrevivência, ou gostamos, efetivamente, de trabalhar e dá-nos motivação? Qual a nossa atitude perante o pagamento de impostos e taxas? Qual a nossa atitude perante a riqueza? Como os rotulamos? E a pobreza?

Qual a nossa atitude perante os desafios que nos apresentam diariamente, quer no âmbito familiar quer social ou profissional? Somos parte da simplificação ou da complexificação, da solução ou do problema, da construção ou da destruição?

Terminando como começamos, isto é, no ginásio, onde, naquele momento tomei a atitude de terminar aquela série de exercícios no banco de Rosca Scott, não obstante quase já não ter forças. A minha atitude determinou o meu comportamento e, por isso, considero que, ainda que exagerando um pouco, a atitude é tudo o que precisamos para conseguir nossos objetivos legítimos. Por isso uso a grafia ati_tudo. Será que alguém precisa de uma metanóia?

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Sobre o autor

Carlos Rocha

Carlos Rocha é administrador do Banco de Cabo Verde, onde desempenhou anteriormente diversos cargos de liderança. Entre outras funções, foi Administrador Executivo da CI - Agência de Promoção de Investimento. Doutorado em Economia Monetária e Estabilização macroeconómica e política monetária... Ler Mais