Presidente do IAPMEI desde junho de 2018, Nuno Mangas falou ao Link to Leaders dos objetivos que gostaria de concretizar no cargo, dos programas que o IAPMEI disponibiliza e do papel que desempenha enquanto dinamizador da competitividade e do crescimento empresarial.

Antigo presidente do Instituto Politécnico de Leiria, Nuno Mangas acumula a experiência do mundo académico e empresarial, competências que, desde junho do ano passado, colocou ao serviço do IAPMEI – Agência para a Competitividade e Inovação, um instituto tutelado pelo Ministério da Economia que tem como tarefa “promover a competitividade e o crescimento empresarial” através do apoio e execução de políticas dirigidas às empresas.

O presidente do IAPMEI quer uma instituição proativa e atenta às necessidades e preocupações da empresas, e no ano que agora começa, explicou ao Link to Leaders que vai focar “a sua intervenção na melhoria contínua da eficiência na gestão dos sistemas de incentivos, no reforço de uma atuação de proximidade nas diferentes áreas de intervenção e, ainda, no reforço da dinamização da transformação digital junto das PME”.

A dificuldade de acesso ao financiamento continua a ser um entrave para as empresas. O que tem feito o IAPMEI para contrariar esta tendência?
O acesso a financiamento por parte das empresas portuguesas, em especial pelas PME, é mais difícil para as empresas mais débeis e de maior risco, que apresentem baixos níveis de solidez financeira e de rendibilidade.  Assiste-se a uma competição na oferta de financiamento em condições favoráveis às empresas com o melhor perfil de risco e, por outro lado, à manutenção de dificuldades de acesso a crédito por parte de um segmento muito amplo de empresas com níveis de risco mais elevados e com baixos níveis de capitalização.

O IAPMEI, no âmbito do Ministério da Economia, tem estado desde sempre, e em particular desde o início da crise financeira internacional, empenhado na conceção e implementação de soluções de financiamento com partilha pública de risco e/ou cofinanciamento público. Sublinhe-se que foram criadas diversas linhas de crédito, cujo montante de financiamento, nos últimos 10 anos, atingiu 19,1 mil euros em 214 mil operações de crédito.

Estão atualmente disponíveis (via IFD): 63 Fundos geridos por Veículos de Business Angels no valor de 70, 4 milhões euros (…)

Que tipo de linhas de crédito?
São linhas de crédito, protocoladas e financiadas através do IAPMEI, em que o apoio público é assegurado através do Sistema de Garantia Mútua, que garante a cobertura parcial de risco das operações de crédito bancário, em valor igual ou superior a 50%, em função das caraterísticas das operações e das empresas destinatárias.

As soluções de crédito que têm vindo a ser disponibilizadas, têm finalidades diversas:

  • Linhas de crédito com caráter estratégico visando estimular a oferta de crédito pelos bancos, para suportar o investimento em expansão e inovação, estando ativas as Linhas de Crédito Capitalizar 2018 e Capitalizar Mais, cujo valor global ascende a 2,6 mil milhões de euros.
  • Linhas específicas para apoiar necessidades de empresas resultantes de condições económicas diferenciadas (Linha de Crédito para Apoio à Revitalização Empresarial e Linha de Crédito para as Empresas Portuguesas com Processo de Internacionalização em Angola) ou, de danos provocados por intempéries e incêndios (Linha de Crédito para Apoio à Tesouraria de Empresas Afetadas por Incêndios 2017, Linha de Apoio a Empresas Afetadas pelo Furacão Leslie.
  • Recentemente foi lançada a Linha Regressar Venezuela, para apoio a empresários regressados da Venezuela na concretização de projetos empresariais em Portugal.

Está ainda ativa a Linha Apoio Desenvolvimento Negócios ADN 2018, protocolada entre o IAPMEI e a SPGM, em que são financiadas operações de crédito de curto prazo, leasing imobiliário e leasing mobiliário e Start up nas quais são emitidas Garantias Técnicas pelas SGM.

Nas soluções de capital, o IAPMEI atua através da participação no financiamento de fundos, geridos pela PME Investimentos e pela IFD, que participam em regime de cofinanciamento em fundos geridos por Business Angels e por Entidades Gestoras de Capital de Risco. Estão atualmente disponíveis (via IFD): 63 Fundos geridos por Veículos de Business Angels no valor de 70, 4 milhões euros; 15 Fundos de Capital de Risco, no valor de 203,7 milhões euros; e foi recentemente lançado, no âmbito do acordo entre o IAPMEI e a IFD, o Fundo PORTUGAL TECH, gerido pelo FEI em articulação com a IFD, no valor de 100 milhões de euros, que permitirá atingir uma oferta de capital superior a 140 milhões, através de FCR cofinanciados.

(…) dinamizamos um conjunto de programas e instrumentos que fomentam e capacitam os empreendedores para o desenvolvimento de ideias e consequente criação de empresas.

As atividades do IAPMEI têm-se pautado por disponibilizar instrumentos de política pública que acompanhem todo o ciclo de vida das empresas. Como entram nessa abordagem as start-ups?
No âmbito da nossa missão de promover a competitividade e o crescimento empresarial, assegurar o apoio à conceção, à execução e à avaliação de políticas dirigidas à atividade industrial, atribuímos grande relevância às start-ups. Uma relevância que decorre, desde logo, do seu contributo para a diversificação e renovação do tecido empresarial português.

Assim, e no contexto de uma intervenção que se dirige a todo o ciclo de vida das empresas, em especial das PME, dinamizamos um conjunto de programas e instrumentos que fomentam e capacitam os empreendedores para o desenvolvimento de ideias e consequente criação de empresas. Um dos focos dessa intervenção centra-se no empreendedorismo, em particular no empreendedorismo de base tecnológica, procurando induzir um contexto favorável ao sucesso destas iniciativas.

Segundo o estudo “Empreendedorismo em Portugal, 2007-2015” da Informa D&B, as start-ups são responsáveis, em média, por 18% do emprego criado anualmente pelas empresas. Este valor atinge os 46% quando consideradas as empresas jovens (com menos de cinco anos) sendo estas um dos targets das iniciativas concebidas e desenvolvidas pelo IAPMEI, como é o caso do programa StartUp Voucher. Os primeiros anos de vida são especialmente importantes para as start-ups. É por isso que instrumentos como o Vale Incubação ou a linha ADN StartUp se revelam importantes no apoio à sua alavancagem.

Por outro lado, no domínio do financiamento são desenhadas soluções que permitam responder às necessidades de financiamento associadas ao ciclo de vidas empresas, tendo também em conta o posicionamento competitivo das empresas em cada etapa de desenvolvimento. É de referir, por exemplo, a atribuição de estatutos PME Líder e PME Excelência às melhores PME (cerca de 8 mil), em parceria com os bancos e o sistema de garantia mútua.

Desempenhamos um papel importante na dinamização e consolidação do ecossistema de apoio ao empreendedorismo, na capacitação e qualificação dos empreendedores e dos seus projetos (…)

Qual pode, ou deve ser, o papel do IAPMEI para ajudar a potenciar o desenvolvimento desses novos projetos empresariais?
A intervenção do IAPMEI nestas matérias foca-se no estímulo ao empreendedorismo e, no reforço da competitividade das empresas portuguesas, principalmente, das pequenas e médias empresas e das start-ups.

Desempenhamos um papel importante na dinamização e consolidação do ecossistema de apoio ao empreendedorismo, na capacitação e qualificação dos empreendedores e dos seus projetos e, também, ao nível da facilitação do acesso a soluções de financiamento ajustadas às suas efetivas necessidades em cada momento das suas fases de crescimento.

Este foco está devidamente alinhado com a Estratégia Nacional para o Empreendedorismo, criada pelo Ministério da Economia e designada por Programa StartUp Portugal, bem como com as políticas e programas europeus relacionados com estas matérias.

De referir também o potencial contributo da nossa atividade no âmbito da Enterprise Europe Network, cujo consórcio lideramos. Neste contexto, prestamos serviços especializados a PME e start-ups no âmbito do processo de scale up, da gestão da inovação e serviços de Key Account Manager, associados a projetos aprovados no quadro do SME Instrument, Horizonte 2020.

Acresce, porventura, referir que ao nível dos apoios enquadrados no âmbito do Portugal 2020 e, no domínio do empreendedorismo, foram já apoiados cerca de 500 projetos (empresas com menos de dois anos de vida), representando 6000 novos empregos e cerca de 770 milhões de euros de impacto previsto nas exportações.

…diria que o StartUp Voucher se constitui como um exemplo de um programa inovador e disruptivo.

Quais os vossos programas mais emblemáticos para esta área? Os instrumentos mais inovadores e disruptivos?
Admitindo que uma ideia inovadora é aquela que permite o desenvolvimento de uma solução nova, diria que o StartUp Voucher se constitui como um exemplo de um programa inovador e disruptivo. Vai na sua 2.ª edição e visa a dinamização do empreendedorismo e o estímulo à inovação para que se constituam como políticas económicas prioritárias para o desenvolvimento e para o aumento da competitividade do país. Visa também criar condições para aumentar o número de empresas, em particular com potencial para inovar, exportar e internacionalizar.

Outro exemplo é o StartUp Visa, lançado em março de 2018. Sendo um programa de acolhimento de empreendedores que tenham residência permanente fora do Espaço Schengen e que pretendam desenvolver um projeto de empreendedorismo e/ou inovação em Portugal, assume-se como um interessante instrumento dinamizador e catalisador de novos projetos e dinâmicas potencialmente enriquecedoras do panorama empresarial português. Registando uma assinalável procura, conta já com mais de 70 candidaturas submetidas, das quais 30 já obtiveram decisão favorável. Alguns destes empreendedores já se encontram a desenvolver o seu projeto em incubadoras no Norte e no interior de Portugal.

De referir também o Tech Visa, um programa de certificação de empresas tecnológicas e inovadoras visando facilitar o processo de concessão de visto e autorização de residência no âmbito do recrutamento de quadros altamente qualificados oriundos de estados terceiros e que não residam permanentemente na União Europeia. O programa surge como incentivo à captação de investimento, de desenvolvimento económico e de construção de uma economia capaz de atrair trabalhadores altamente qualificados e especializados. Acreditamos que se traduza num contributo para o crescimento do setor tecnológico e inovador e para a internacionalização do tecido empresarial português.

Em matéria de sistema de incentivos do PT2020, destaco o SI Inovação que apoia estratégias de investimento produtivo para a disponibilização de inovações de produto ou de processo no mercado. Representa uma carteira de 4,6 mil milhões de euros de investimento em curso. Este instrumento está a ser alterado no âmbito do processo de reprogramação e passará a funcionar em articulação com a banca. Nestes termos, a banca alavancará 50% dos fundos necessários ao financiamento sem custos financeiros para as empresas, sendo os outros 50% atribuídos pelo Portugal 2020 através de incentivos não reembolsáveis sujeitos ao cumprimento de metas.

E quais têm sido os de maior impacto no ecossistema empreendedor, os de base financeira e de financiamento ou os de acompanhamento empresarial?
Reconhecendo a multiplicidade de fatores que condicionam o processo de arranque e de desenvolvimento de negócios inovadores, sabemos que o financiamento constitui, sem dúvida, um elemento de grande relevância na concretização de iniciativas empresariais emergentes.
Os vários instrumentos existentes, quer de base financeira, quer de acompanhamento empresarial consubstanciam importantes alavancas para a promoção e o desenvolvimento do empreendedorismo qualificado em Portugal, donde resulta a criação de start ups e seu posterior scale up.

Em termos gerais é sempre difícil referir quais dessas soluções têm maior impacto. A otimização dos impactos dos programas de financiamento, ou outras medidas de apoio, deve considerar a diversidade das reais necessidades das empresas, em cada momento e o estádio de desenvolvimento dos seus negócios.

O bom desempenho de Portugal, em matéria promoção e apoio aos empreendedores e ao ecossistema do empreendedorismo, tem sido reconhecido pelos nossos parceiros na Europa e também por países terceiros. Acreditamos que, este bom nível de desempenho, resulta da conjugação e integração dos vários instrumentos e programas disponíveis e de todo um trabalho coletivo orientado para esta realidade.

Este programa permitirá gerar uma oferta de soluções de capital superior a 140 milhões euros, alavancado assim em cerca de três vezes os 50 milhões de financiamento público nacional aportado pelo IAPMEI.

O PORTUGAL TECH, que disponibiliza 100 milhões para start-ups e PME, é um dos mais recentes projetos de investimento em que o IAPMEI está envolvido, a par da IFD e do FEI. O que espera que esta iniciativa faça, efetivamente, em prol das start-ups e das PMEs portuguesas?
A constituição de fundos em Portugal, cofinanciados pelo Portugal FITECH e geridos por Entidades Gestoras de Capital de Risco, irá ampliar a oferta de financiamento a projetos de investimento no segmento start-up e de projetos inovadores promovidos pelas PME portuguesas.

Este programa, envolvendo cofinanciamento com o FEI e com os FCR, permitirá gerar uma oferta de soluções de capital superior a 140 milhões euros, alavancado assim em cerca de três vezes os 50 milhões de financiamento público nacional aportado pelo IAPMEI.
É expetável que um conjunto alargado de projetos inovadores e com elevado potencial, quer na fase de arranque quer em fase de desenvolvimento, possam ser financiados no âmbito do programa. É também relevante a possibilidade aberta com a captação de projetos com origem externa que pretendam instalar-se em Portugal.

As empresas estão a saber aproveitar devidamente os programas nacionais e europeus de apoio ao empreendedorismo e à inovação?
Pensamos que sim. Existe uma forte procura pelos instrumentos de apoio disponibilizados e os resultados são positivos. Esta circunstância demonstra o interesse que suscitam junto de potenciais empreendedores e empresários.
Um estudo recente. efetuado pelo ISCTE sobre os sistemas de incentivos. concluiu que o impacto é bastante positivo. Este estudo comparou a evolução de grupos de empresas idênticas com e sem apoios, ao longo de cinco anos, usando para o efeito a informação estatística de mais de 200 mil empresas.

A título de exemplo, as empresas que beneficiaram de incentivos, dois anos após o ano de início do investimento apoiado, possuem em média mais 376 mil euros de Valor Acrescentado Bruto, vendem mais 838 mil euros, exportam mais 176 mil euros, investem mais 38 mil euros em I&D e possuem mais 8,2 postos de trabalho (dos quais 4,4 qualificados), quando comparadas com empresas que não acederam aos incentivos e que eram estatisticamente idênticas às apoiadas antes da realização dos investimentos.

Do ponto de vista da eficácia, o estudo conclui que 100 mil euros de incentivos originam, até ao segundo ano após o ano de início do investimento apoiado, um aumento de 141,5 mil euros na Formação Bruta em Capital Fixo, de 55,8 mil euros do Valor Acrescentado Bruto, de 294,1 mil euros de volume de negócios, de 117,6 mil euros de exportações, de 90,9 mil euros de resultados líquidos, de 5,7 mil euros de I&D e de 1,2 postos de trabalho.

Foram também identificados alguns impactos positivos em dimensões como a qualidade do emprego a distribuição de rendimentos no seio das empresas, a igualdade de género e a ecoeficiência.
O estudo demonstra ainda que os impactos positivos são sustentáveis ao longo do tempo, sendo as diferenças entre as empresas apoiadas e não apoiadas evidentes ainda ao fim dos cinco anos do período em avaliação.

Quais os distritos, zonas geográficas, que recorrem mais aos fundos geridos pelo IAPMEI.?
Em matéria de incentivos PT 2020, com a Indústria a representar 92% do total dos projetos aprovados, as principais regiões são Norte (51% ) e Centro (36%), onde também se situa grande parte do tecido empresarial. Contudo e, de uma forma geral, a distribuição regional da utilização de soluções de financiamento com a nossa intervenção está muito fortemente correlacionada com a dimensão do tecido empresarial.

Importa também ter presente, que algumas soluções de crédito e capital, não têm aplicação, ou é fortemente restritiva fora das regiões de convergência, como é o caso das regiões de Lisboa e Algarve.
Ainda assim, posso referir que os distritos com maior relevância na utilização de crédito e capital (não incluindo incentivos), são, por ordem decrescente, Porto, Lisboa, Aveiro, Braga e Leiria. Por setor, a indústria é responsável por 20% das operações e 34% do crédito concedido, seguida do comércio com 36% das operações e 32% do crédito.

(…) os empreendedores são importantes agentes de mudança e de crescimento numa economia e, que podem agir de forma a acelerar a criação, a disseminação e a generalização de ideias inovadoras (…)

Na sua opinião, e no atual cenário empresarial, onde é essencial manter o foco? Na inovação, nos recursos humanos, no estímulo ao empreendedorismo, na capacitação competitiva, na internacionalização…?
Acreditamos que essas diversas vertentes estão fortemente interligadas. Precisamos de ser criativos e de saber equilibrar o trabalho que se desenvolve. A atividade empreendedora assume particular relevância na criação de emprego, inovação, produtividade e crescimento económico. Portugal apresenta uma elevada taxa de criação de empresas, situando-se acima da média europeia. Ainda assim, sabemos que o desafio passa, essencialmente, por fomentar um empreendedorismo qualificado que possa dar um maior contributo para o crescimento. Falo de empreendedorismo com alta intensidade tecnológica e com elevada criação de valor, matéria onde a criatividade, a experimentação e o aproveitamento económico de resultados de atividades de I&D são fatores críticos de sucesso.

Por sua vez, a inovação é uma atitude, que exige conhecimento, persistência e concentração. É certo que promover a inovação é uma responsabilidade da sociedade mas, cabe às agências públicas e entidades da envolvente empresarial um papel mobilizador e facilitador do processo de integração da inovação nas atividades económicas, no ensino e nas atitudes. A inovação é particularmente valorizada quando surge associada ao empreendedorismo, enquanto processo dinâmico, a partir do qual os indivíduos identificam ideias que consubstanciam em novos negócios, novas empresas, novos modelos de negócio.

Admite-se, em consequência, que os empreendedores são importantes agentes de mudança e de crescimento numa economia e, que podem agir de forma a acelerar a criação, a disseminação e a generalização de ideias inovadoras, que asseguram uma utilização mais eficiente dos recursos existentes e alargam as fronteiras em que se desenvolve a atividade económica.

Daqui resulta a importância que se atribui ao fator “recursos humanos” e às suas qualificações/competências. Face aos desafios da globalização dos mercados e da digitalização da economia, estes fatores revelam-se cada vez mais críticos para o sucesso das iniciativas empresariais.

É neste registo que o IAPMEI aposta na dinamização de programas e instrumentos indutores de mais empreendedorismo e de mais inovação orientados para a criação e a para a sustentabilidade das start-ups, mas também aposta na mobilização e na qualificação dos atores do ecossistema. Refira-se neste contexto, a intervenção em torno da Rede Nacional de Mentores, das incubadoras certificadas e acreditadas e todo o envolvimento de outras entidades da envolvente empresarial.

O financiamento de venture capital, private equity ou private debt podem ser fórmulas para alavancar o Portugal tecnológico de que tanto se fala?
O Portugal tecnológico de que se fala só pode ser conseguido através duma atuação estratégica ativa envolvendo uma articulação forte entre o setor empresarial, os centros de investigação e desenvolvimento públicos e privados.
A par da existência e mobilização de recursos humanos altamente qualificados, é fundamental garantir a existência de recursos financeiros substanciais que permitam o desenvolvimento de projetos, quer na fase de I&D, quer nas fases subsequentes de arranque e desenvolvimento de novos projetos ou de projetos de inovação em empresas existentes.

Os fundos de capital (Business Angels, Venture Capital e Private Equity) totalmente privados, ou com cofinanciamento público, com altos níveis de alavancagem, são absolutamente imprescindíveis, como fonte de financiamento de projetos com fortes caraterísticas inovadoras e potencial de desenvolvimento. É muito relevante que se consigam criar condições para atrair recursos financeiros externos e que se desenvolva um mercado financeiro amplo e aberto.

A mobilização de recursos financeiros através de soluções de dívida específicas ajustadas às necessidades das empresas poderá complementar de forma inteligente as soluções de capital e de quase capital. A exploração do lançamento de operações agrupadas de obrigações e mesmo de ações, poderá também vir a constituir uma boa medida para assegurar o financiamento de PME através do mercado de capitais.

O IAPMEI, no âmbito do Ministério da Economia está atento às necessidades de financiamento das PME, designadamente as associadas à implementação de estratégias, de inovação, de crescimento e internacionalização, e equacionará sempre a implementação de medidas de financiamento que se entendam mais adequadas.

No atual cenário económico, que desafios se adivinham para as start-ups e para as pequenas e médias empresas? Que traços comuns identifica entre estes dois universos?
Podemos certamente referir que, para além de alguma estabilização do crescimento que se verifica na economia nacional, a maior instabilidade que se verifica na economia mundial e, em especial nalguns dos nossos mercados externos mais importantes, é um desafio que irá exigir muita atenção.

Por outro lado, há que referir os desafios associados a uma crescente competição global, mercados cada vez mais exigentes e sofisticados, a atração e retenção de talentos, o acesso a financiamento em condições favoráveis e, sem dúvida, todos os desafios associados à transformação digital e suas repercussões nos modelos de negócio, bem como às novas tecnologias e à segurança da informação.

Assumindo-se como “parceiro estratégico para a inovação e crescimento das empresas, empresários e empreendedores”, que projeto tem o IAPMEI em agenda para 2019?
Um IAPMEI proativo e muito atento às necessidades e preocupações das empresas, com maior capacidade resposta e uma atuação de proximidade com as empresas. Em 2019 iremos focar a intervenção na melhoria contínua da eficiência na gestão dos sistemas de incentivos, no reforço de uma atuação de proximidade nas diferentes áreas de intervenção e ainda no reforço da dinamização da transformação digital junto das PME.

Está na presidência do IAPMEI há pouco mais de seis meses. De que forma sua anterior experiência no mundo académico pode trazer uma nova abordagem ao mundo empresarial?
Acredito que a minha experiência de grande proximidade e de articulação com o mundo empresarial, com os empresários e os empreendedores, pode ser potenciador de uma partilha de conhecimento e de experiências mais eficaz, criando sinergias e uma maior capacidade de inovação junto das empresas. Por outro lado, a circunstância de conhecer bem uma região que se diferencia como inovadora e empreendedora, permite identificar boas práticas e desempenhos de excelência que serão certamente muito úteis no desempenho destas funções.

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