Luxemburgo, Líbano e Marrocos são os três países onde os empreendedores vendem mais para o mercado externo.

Leia algumas das conclusões da edição deste ano do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) – um dos principais estudos globais sobre empreendedorismo.

Empreendedores que trabalham para a internacionalização

Os empreendedores são conotados como internacionais pelo GEM quando 25%, ou mais, das suas vendas são para clientes internacionais. Esta característica pode ser potenciada por fatores como a rigidez das políticas de comercialização, logísticas económicas eficientes, partilha de fronteiras e cooperação entre países com a mesma cultura/língua. A União Europeia é um modelo que argumenta a favor disto, visto que os países do antigo continente com maior percentagem de internacionalização, exceto a Suíça, fazem parte desta união económica e política.

As economias mais pequenas e com pouca população dependem dos empreendedores que tenham ambição e capacidade de internacionalizar os seus negócios. Exemplo disto é o Luxemburgo, o Chipre, a Eslovénia e o Qatar, territórios em que os empreendedores têm de olhar para fora do mercado interno para encontrar um público que apoie os seus negócios.

Em oposição, os empreendedores inseridos em países com uma grande população não precisam de olhar tanto para o exterior, visto que o mercado interno lhes fornece um público-alvo suficientemente atrativo. Exemplo disso são nações como China, Estados Unidos, Indonésia e Brasil – apenas 0,3% dos fundadores brasileiros exportam os seus serviços/produtos.
Neste campo, é a Índia que foge à regra. Apesar de ter uma das maiores populações do mundo – 1,35 mil milhões -, 25,4% das vendas dos empreendedores deste país são feitas para fora.

Os melhores exemplos neste tópico vêm do Líbano e de Marrocos onde as vendas dos empreendedores correspondem a 59,3% e 54,9%, respetivamente.

Crescimento e criação de emprego

Os empreendedores são veículos fundamentais na criação de emprego. Esta atividade contribui para a empregabilidade e bem-estar das sociedades e para a boa saúde e avanços das economias – até porque são criados empregos de mão de obra qualificada. Porém, os dados recolhidos pela equipa do GEM mostram que são poucos os empreendedores que preveem a criação de uma grande quantidade de postos de trabalho nos próximos cinco anos. Na verdade, são raros os países onde predominam os fundadores que antevejam a criação de seis ou mais postos de trabalho.

No caso da Europa (como se pode verificar no gráfico abaixo), são poucos os empresários que preveem a criação de emprego.

Há, no entanto, regiões que são exeção. Em Angola e no Sudão, por exemplo, perto de 25% dos fundadores acredita que vai criar seis ou mais empregos num período de cinco anos. Esta previsão é partilhada por alguns países da América Latina, como o Chile, Guatemala e Colômbia.

Porém, há nações no polo oposto. No Brasil, 81% dos fundadores não espera juntar ninguém à sua equipa no período detalhado. Os empreendedores holandeses partilham esta previsão: 75% não antecipa a criação de um único posto de trabalho através dos seus negócios.

Se por um lado os analistas do GEM acreditam que isto pode fomentar a falta de emprego qualificado, por outro pode refletir as preferências dos modelos de negócio dos empreendedores que preferem trabalhar em rede, utilizando os seus contactos para superar desafios que possam surgir. Este formato de negócio estimula também o trabalho em modelo freelance, algo que não está contemplado pelo gráfico.

As previsões de crescimento e a internacionalização dos empreendedores à volta do mundo

Previsão da criação de postos de trabalho de 48 economias. Fonte: GEM

 

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