Recentemente, Robert Atkinson e Michael Lind publicaram no Wall Street Journal um interessante ensaio intitulado “Pare de Escorar Pequenas Empresas”, adaptado do seu novo livro “O Grande é Belo: Derrubando o Mito dos Pequenos Negócios”.

Eles observaram o entusiasta endosso do presidente Donald Trump a pequenas empresas com “Nós vamos criar um ambiente para pequenas empresas como não tivemos em muitas, muitas décadas!”, bem como do presidente Barack Obama que afirmou que “as pequenas empresas são a espinha dorsal da nossa economia e as pedras angulares da promessa americana”.

Não é preciso muito esforço para encontrar comentários semelhantes em quase todas as economias, de qualquer país do mundo, e em todos os sistemas políticos.

Atkinson e Lind argumentam que o oposto e que essa “suposta cura milagrosa é realmente óleo de cobra”. Por outras palavras, algo de pouco valor, um mito, uma farsa. Eles afirmam isso porque “em comparação com grandes empresas, as pequenas empresas pagam salários mais baixos e fornecem menos benefícios, prejudicam e demitem os seus trabalhadores com mais frequência, gastam menos para proteger o meio ambiente, são menos produtivos e menos inovadoras e criam uma parcela menor de novos empregos.

Agora, enquanto não conheço o professor Lind, conheci o Sr. Atkinson várias vezes e achei-o astuto, perspicaz e uma das principais mentes dos EUA em inovação. Mas neste caso, no tempo que passou em Washington D.C., estudando estatísticas económicas e alimentando-se do grande pipeline de tecnologia simbiótica do governo, iludiu-se tal como o seu colega.

Se aceitarmos a premissa da exatidão dos dados económicos e governamentais sobre pequenas empresas como atualmente são medidos, compilados e utilizados para moldar as políticas públicas (eu não), no nível mais básico, é preciso ver as pequenas empresas, os auto-empregos e as microempresas como a “estufa” das futuras grandes empresas – na verdade, não se pode ter uma sem a outra.

Na minha própria experiência, não é particularmente difícil criar um pequeno negócio, mesmo com vários requisitos governamentais, permissões e requisitos de capitalização que todos compartilhamos independentemente da jurisdição. Mas é uma tarefa muito mais difícil transformá-lo num empreendimento vibrante, funcional e lucrativo. Sempre ri daqueles que classificam como pequenas empresas as empresas com menos de um bilhão de dólares de receitas e/ou 1.000 funcionários. Para esses diretores, gerentes e executivos que gerem essas empresas, eles sentem algo diferente de “pequeno”.

Em segundo lugar, o treino que as pequenas empresas fornecem não só aos fundadores, mas também aos funcionários, é essencial para o caminho do desenvolvimento da carreira. Em numerosas ocasiões, tenho visto o movimento de aspirantes a empreendedores entre as várias experiências e configurações de pequenas, médias e grandes empresas. Essa rica diversidade de negócios pode realmente melhorar a trajetória de uma carreira e treinar para maiores responsabilidades, incluindo as grandes empresas que Atkinson e Lind tanto estimam. Mas a sua visão míope da grande empresa é análoga a admirar a famosa e gigante Sequoia Redwoods da California sem apreciar a flora e a fauna que cria todo o ecossistema que pode suportar esses raros e impressionantes gigantes.

Finalmente, e penso de forma mais convincente, as regiões rurais e interiores dos países simplesmente não podem sobreviver sem o trabalho o autoemprego e os pequenos negócios. Nos EUA, o renascimento económico dos chamados “Estados sobrevoados” (isto é, Estados não costeiros) só foi possível com o boom da década passada da extração de óleo e o aumento simultâneo da internet de alta velocidade para apoiar as pessoas afastadas das áreas urbanas.
Em Portugal, o aumento massivo do turismo, do desenvolvimento empresarial e do investimento imobiliário nos últimos anos limitou-se, em grande parte, a Lisboa, enquanto as áreas interiores, de certa forma, definham. Esse padrão é visto em quase todos os países do mundo.

Voltando à tese de Atkinson e de Lind, há, certamente, a falta de generosidade do governo e a ênfase na tentativa de fornecer incentivos excessivos à formação de pequenas empresas. Se tivéssemos que escolher, muitos de nós que realmente fundamos e continuamos a gerir pequenos negócios (pelo menos na América do Norte) geralmente prefere que os governos façam menos por nós do que tentem fazer mais. O seu “mais” pode ou não alinhar-se com os nossos próprios interesses e necessidades e, muitas vezes, pode interferir com as nossas necessidades de flexibilidade e criatividade.

Finalmente, o que seria mais interessante e frutífero neste debate sobre pequenos e grandes negócios é a dificuldade de realmente transformar um pequeno negócio num grande negócio. Há um vasto terreno baldio de empresas além do estágio empreendedor entusiasmado e dinâmico, mas não grande o suficiente para competirem e prosperarem. Para aqueles de nós engaged no “fazer” das pequenas empresas, poderíamos dar as boas vindas a esses insights e comentários do governo e da academia para nos ajudar a desenvolver as nossas empresas.

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Sobre o autor

Randy Ataíde

Randy M. Ataíde é CEO da StealthGearUSA, LLC, uma empresa em crescimento acelerado, com sede em Utah. Antes de assumir a sua liderança, foi CFO e Conselheiro Sénior, durante a qual cresceu 400% ao ano desde a sua fundação em 2012. Professor de Empreendedorismo no Programa de MBA da Universidade Point Loma Nazarene (PLNU), em São Diego, Califórnia, onde leciona Empreendedorismo e Inovação, bem como Estratégia de Negociação e Criação... Ler Mais