A par das já clássicas cidades como São Francisco e Nova Iorque, ou de Silicon Valley, as empresas norte-americanas estão a descobrir novos spots para instalar as suas operações. Têm um custo de vida menor e mais qualidade de vida.

Nos últimos meses, algumas cidades norte-americanas têm “tropeçado” umas nas outras para captar a atenção da Amazon.com como destino privilegiado para a multinacional instalar uma segunda sede.

Uma história semelhante está a acontecer no mundo das start-ups. Muitas das mais valiosas empresas apoiadas por capital de risco estão a aventurar-se fora das suas sedes caríssimas e a estabelecer centros secundários em cidades, até agora, de “segundo plano”.

Afinal, para onde estão a ir as grandes empresas? Nashville é muito popular. Tal como Phoenix, Portland e Raleigh e também estão a ser muito procuradas e a gerar alguns empregos. Aliás, são várias as empresas que disponibilizam ofertas de trabalho à distância para candidatos com excelentes skills, mas que não querem mudar-se para a sede, preferindo permanecer naquelas cidades.

Essas são algumas das descobertas de uma análise feita pela Crunchbase News sobre as práticas de contratação geográfica dos unicórnios norte-americanos. Como a maioria dessas empresas está centrada em locais de alto custo, como São Francisco, Boston ou Nova York, procurou verificar-se se existe um padrão na instalação de escritórios em cidades menores e mais baratas. Eis dois dos novos hotspots do momento nos Estados Unidos:

Nashville
Uma surpresa foi a prevalência de Nashville entre os locais secundários escolhidos pelas start-ups americanas para instalar escritórios. Pelo menos quatro unicórnios estão a ampliar os seus escritórios na cidade, além de outros com operações a crescer quer na cidade quer em seu redor. A popularidade de Nashville deve-se ao facto da cidade ser conhecida como um hub para star-ups tecnológicas ou fundos de risco. Estes são, aliás, alguns dos atributos que fazem dela um local prático e desejável para instalar um escritório secundário.

Outros dos pontos a favor de Nashville incluem a alta qualidade de vida, uma população e economia em crescimento, um clima ameno e… muita música ao vivo. Por outro lado, os preços dos imóveis e do custo de vida também estão muito abaixo dos praticados em Silicon Valley e em Nova Iorque. Além disso, ainda tem um benefício adicional: o estado do Tennessee mão cobra imposto sobre os salários.

Unicórnios com operações em Nashville: Eventbrite /Indigo /Warby Parker/Lyft/Houzz/View

Phoenix
A Phoenix é outra escolha muito popular para as start-ups se instalarem, principalmente as da Costa Leste americana que procuram um  hub de atendimento ao cliente ou outras operações que exigem grandes equipas.

Alguns dos unicórnios com equipas significativas nesta cidade são: Prosper/Katerra/Oscar Health/ Opendoor/ Zebefits.

Acessibilidade, facilidade de expansão e uma grande população empregável, parecem ser alguns dos grandes atrativos de Phoenix. Tal como as casas e um custo de vida geral mais acessível que a maioria das grandes cidades costeiras

Nashville e Phoenix não são os únicos lugares a atrair a atenção destas empresas como alternativa para montar escritórios secundários, já que muitas outras cidades americanas também começam a registar alguma atividade neste domínio.

Na região da Carolina do Norte, por exemplo, conhecida por ter muitos graduados, acolhe muitas empresas de tecnologia que, apesar de terem a sede noutras cidades, instalam ali escritórios. Uma dessas empresas é a unicórnio de cibersegurança Tanium, com muitas vagas para técnicos esecializados. Outra é a Docker, especializada em software.

A área metropolitana de Orlando destacou-se principalmente devido à Robinhood, uma plataforma de negociação de ações e criptografia de taxa zero. Sedeada em Silicon Valley, a empresa tem um número significativo de posições em Orlando, incluindo os serviços de RH.

No entanto, não precisa de estar fisicamente em nenhuma destas cidades se procura trabalho numa destas start-ups de rápido crescimento, uma vez que, regra geral, muito unicórnios têm uma grande percentagem de trabalhadores à distância, sobretudo em funções especializadas que podem ser difíceis de preencher localmente.

É claro que nem todos os unicórnios estão a abrir grandes escritórios secundários. Muitos preferem manter as equipas próximas do “quartel general”, procurando, em vez disso, atrair os funcionários aliciando-os com locais de trabalho modernos e benefícios generosos. Já outras empresas, quando se expandem, preferem continuar a apostar em locais estratégicos, mas igualmente caros.

Ainda assim, o fenómeno do hub secundário faz com que os unicórnios estejam a proporcionar ofertas de trabalho em muitos outras cidades que não apenas as tradicionalmente associadas ao mundo da inovação e do empreendedorismo.

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