Em janeiro de 2018 escrevi aqui “O empoderamento através da moda” a propósito do trabalho excecional que a Miuccia Prada fazia de empoderar as mulheres, neste caso concreto artistas femininas mais jovens, através das suas coleções de moda.

Desde há algum tempo que a indústria da moda é vista como um dos instrumentos mais poderosos para transformar o mundo em geral e a nossa sociedade em particular. Para além disso, é tido como um dos setores com mais impato nas respetivas economias. A Itália, o Reino Unido e a França são, sem dúvida, dos países com mais criadores e que mais têm promovido a inovação e a tecnologia no âmbito da moda e das indústrias conexas.

Em Portugal temos o calçado e a indústria têxtil com uma presença digna de registo no nosso PIB. Conseguimos, igualmente, ter notoriedade e prestigio naquilo que diz respeito aos nossos criadores e essa é uma das razões pelas quais, no passado mês de fevereiro, Luís Onofre foi nomeado pela APICCAPS, na maior feira internacional do setor, a Micam, em Milão, presidente da Confederação Europeia da Indústria de Calçado. Tomará posse no próximo dia de 24 de maio e sucederá ao italiano Cleto Sacripanti. Já em 2001 outro português tinha presidido à Confederação Europeia da Indústria de Calçado. Fortunato Frederico liderou a associação que representa todo o universo do calçado a nível europeu, com sede em Bruxelas, durante um período de dois anos.

Mas apesar de todas as mudanças a que temos vindo a assistir no mundo da moda esta apresenta os mesmos problemas das diversas áreas que incorporam o setor económico e têm uma lacuna gravíssima naquilo que diz respeito à presença de mulheres na liderança desta indústria (onde Miuccia Prada continua a ser de facto uma das grandes exceções).

Assume por isso uma elevada relevância a transformação a que estamos a assistir pela mão da Casa Dior e de Maria Grazia Chiuri – a primeira diretora criativa nos 73 anos de história da empresa – que desde a coleção primavera/verão de 2017 introduziu a igualdade de género na alta costura e mostrou ao mundo que as Mulheres Mudam (Mesmo) o Mundo!

Com a coleção outono/inverno 2019/20, durante a Semana de Moda de Paris, Maria foi, ainda, mais longe e deixou à vista de todas e de todos que é possível fazer mais pelo empoderamento feminino ao trazer para a passerelle  T-shirts brancas com letras de cores e tipografias diferentes, semelhantes às inspiradas no título do livro de Chimamanda Ngozi Adichie, com os seguintes slogans: «We Should All Be Feminists».«Sisterhood Is Global», «Sisterhood Is Powerful» e «Sisterhood Is Forever».

A Casa Dior explicou que Maria Grazia Chiuri quis honrar o Legado de Robin Morgan, a poeta feminista americana, com elementos dos livros Sisterhood is Powerful (1970), Sisterhood is Global (1984) e Sisterhood is Forever (2003) , que celebram o conceito de irmandade», explica a Dior.

A explosão dos hastags no Instragram – #SisterhoodIsPowerful #SisterhoodIsGlobal #SisterhoodIsForever #MariaGraziaChiuri #Dior #DiorShow #DiorFW19 #DiorAW19 #DiorCouture #PFW #Paris #ParisFashionWeek – são a prova de como Maria Grazia Chiuri é uma das Mulherers que Muda (Mesmo) o Mundo!

Com a contratação de Maria Grazia Chiuri a Dior foi duplamente disruptiva pois colocou uma mulher a liderar a criatividade da Casa e deu palco à igualdade de género na Semana de Moda de Paris!

Na semana em que celebramos o Dia Internacional da Mulheres celebremos a ambição, a inovação e a criatividade do género feminino e a mudança que as mulheres provocam no mundo!

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Sobre o autor

Teresa Damásio

Teresa Damásio é Administradora Delegada do Grupo Ensinus desde julho de 2016, constituído por Instituições de Ensino Superior, o ISG, por Escolas Profissionais, o INETE, A Escola de Comércio de Lisboa e a Escola de Comércio do Porto, a EPET,... Ler Mais