Um estudo apontou um decréscimo abrupto da criação de start-ups num dos países onde o empreendedorismo já foi mote para atingir o sucesso pessoal: os Estados Unidos.

As start-ups sempre foram uma parte importante para fortalecer o motor de algumas economias. No Brasil, por exemplo, em 2016, foram criadas 11,1 milhões de empresas para combater a crise económica vivida no país.

Alguns dos fatores mais importantes para as economias deste tipo de países são a criação de emprego, a emergência de novas ideias e os modelos de negócio inovadores que, muitas vezes, foram transpostos para além-fronteiras.

Contudo, segundo aponta um novo estudo da Brookings Institution, as start-ups (referidas como empresas com menos de dois anos) são uma espécie em declínio num dos países mais conhecidos pelo seu espírito empreendedor: os Estados Unidos. Ao que parece, juntar-se a uma start-up, ou criar uma, já não faz parte do American Dream.

Enquanto que em 1985 os projetos deste género representavam 13% de todas as empresas nos Estados Unidos, em 2014, as start-ups já só detinham 8% deste universo.

E sendo que um dos aspetos mais importantes para a criação de novos projetos é a dinamização do mercado de trabalho, com a criação de novos empregos, é importante referir que, neste campo, o estudo também aponta para um decréscimo abrupto. Entre 1998, altura em que 9% dos empregos foram criados por start-ups, e 2010, houve uma descida de quatro pontos percentuais.

Segundo o estudo, uma das potenciais razões para este problema prende-se com a era atual, em que as grandes empresas tentam dominar cada vez mais mercados. Isto traduz-se em maiores dificuldades para competir a nível salarial e no desenvolvimento de novas soluções com gigantes como a Amazon, a Alphabet ou o Facebook.

Outro dos motivos apontados pelo estudo é o facto de os norte-americanos terem um nível de educação cada vez mais mais elevado, pelo que preferem trabalhar em empresas que lhes assegurem um salário em vez de se aventurarem no mundo do empreendedorismo.

Apesar do cenário parecer negativo, o estudo refere que os empregos nos Estados Unidos nunca estiveram tão estáveis como agora, quando comparados com as últimas décadas.

Uma das maneiras de potenciar o aparecimento e crescimento das start-ups, avança o estudo, poderá passar por eliminar os subsídios que apoiam as grandes empresas, de forma a que as start-ups tenham mais espaço para evoluir e, mais facilmente, lutarem pela sua fatia do mercado.

A Amazon, por exemplo, quando constrói um novo armazém ou escritório numa zona em que ainda não está presente recebe um incentivo fiscal por criar empregos e dinamizar a economia local. Segundo o relatório, este tipo de incentivos quase que triplicou entre os anos 90 e 2015, o que levanta cada vez mais dificuldades às start-ups.

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