A InoDev atua em Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e, mais recentemente, na Polónia. O seu objetivo é ajudar as empresas a gerir a inovação, de modo a adquirirem um posicionamento estratégico diferenciador.

A inoDev foi fundada em 2011. O seu drive principal está associado a conceitos e processos de inovação disruptiva, permitindo às empresas, independentemente da sua indústria, dimensão, origem ou antiguidade, serem bem-sucedidas.

O Link To Leaders falou com João Cabral para perceber de que forma a InoDev ajuda as empresas a desenvolverem todo o seu potencial através da inovação e o que a consultora espera do mercado polaco, onde acaba de abrir um escritório.

Como vê a atuação das empresas portuguesas ao nível da inovação?
A consciência da mudança e dos paradigmas da sociedade do conhecimento levaram as empresas e as autoridades à tomada de posição sobre qual o modelo de desenvolvimento em Portugal. Hoje está claro que a produção de produtos baratos de baixa tecnologia não é um caminho possível, pois existem sempre outros mais económicos do que nós.

A estratégia de combate a esta situação deu-se investindo nos fatores de contexto que podem acelerar efetivamente o processo de convergência tecnológica e de conhecimento. A rede de fibra, a taxa de alunos que acabam por ingressar no curso superior, as redes de infraestruturas, as universidades (atração de universidades americanas MIT e Carnegie Mellon) foram grandes saltos. Hoje o verdadeiro desafio já não é de conhecimento, onde ombreamos, em termos de know-how e doutorados, com os países cimeiros em termos de inovação, mas na criação de um ecossistema de start-ups e dos mecanismos de criação de escala que permitam grandes casos de sucesso mundiais e posicionem Portugal no radar mundial de tecnologia.

Que balanço faz da InoDev nestes 5 anos de vida?
A inoDev nasce em 2011 e posiciona-se enquanto embaixadora das teorias de inovação disruptiva de Clayton Christensen. A inovação disruptiva representa uma mudança drástica na forma como o produto/serviço é consumido e traz um novo paradigma ao mercado, modificando completamente os modelos de negócio vigentes.

A inovação disruptiva é, para a inoDev, uma das ferramentas mais poderosas no mundo atual, para responder ao ritmo acelerado da mudança em todas as esferas – social, económica, política, tecnológica, etc. Esta constante mudança de realidade leva, obrigatoriamente, a uma constante mudança de comportamentos, necessidades e preferências dos consumidores. As empresas, por seu turno, só subsistem se entregarem valor aos seus clientes.

Momentos altos e momentos da InoDEV Portugal…
Hoje os investimentos em inovação não são reduzidos, como foram no passado. A onda de exportação que virou Portugal para o exterior, trouxe às empresas nacionais desafios de inovação tecnológica, de processo e de marketing, para ganhar quota de mercado lá fora, e tem sido uma aposta ganha, ou seja, Portugal tem progredido na exportação e, se começou com países com menos sofisticação e inovação, como a África e a América do Sul, hoje o palco de crescimento dá-se na Europa e na Ásia, mercados muito mais exigentes. A marca Portugal começa hoje a ser sinónimo de qualidade.

O verdadeiro desafio é inovar bem. As empresas passam à internacionalização e inovação com processos puros de tentativa e erro e muito poucas empresas têm processos de inovação consistentes e sistemáticos, existindo pouco output para o que é investido, em termos de investigação e desenvolvimento.

Como ajudam as empresas que recorrem à InoDev com necessidade de investimento?
A InoDev tem vindo a especializar-se em múltiplas áreas relevantes para o desenvolvimento dos negócios e otimização de recursos. Procedemos a análises 360º da empresa e do mercado, como suporte para uma conceção estratégica inovadora e disruptiva; fazemos acompanhamento em campo e alinhamento dos processos das empresas com o seu novo posicionamento; ajudamos na elaboração de Planos de Negócio e na modelação financeira resultante; fornecemos apoio na aprovação de financiamentos, quer oficiais quer privados – QREN, Capitais de Risco e Business Angels; ajudamos no estabelecimento de métricas de gestão para a avaliação prática da eficiência dos planos de ação implementados; ajudamos nas reestruturações empresariais, motivação de equipas e recursos humanos; apoiamos a internacionalização de empresas e modelação financeira dos vários cenários possíveis em ações deste tipo; damos apoios no  desenvolvimento de estratégias de marketing digital e ativação de marcas e apoio em processos de internacionalização, estudo e seleção das opções mais adequadas e modelação financeira dos vários cenários possíveis.

E quando a questão é a internacionalização? Quais os mercados mais procurados?
A Polónia é o primeiro mercado onde a InoDev arrisca a estar de forma autónoma, embora já tenha participado ativamente em projetos em Angola, Moçambique, Arábia Saudita, Brasil e Roménia.

A Polónia está, em termos de inovação, como Portugal estava no início dos anos 2000. O mercado ainda cresce com algum vigor e estão a ser acabadas as maiores infraestruturas, mas já há alguns setores que começam a estar saturados. Tal como fez Portugal, as empresas polacas vão ter de aprender a competir de outra forma e virarem-se para a exportação. A Polónia tem recursos muito competentes e, tecnologicamente, está bastante avançada, pelo que está no momento ideal para começar a pensar os seus produtos de uma forma mais global. Está a nascer e a consolidar-se também neste mercado o movimento das start-ups, embora com muito menos destaque do que em Portugal.

O nosso projeto é consolidar a Polónia e, a partir de aí, avançar para outros mercados da Europa de Leste, medindo a recetividade em termos de internacionalização, globalização e a própria comunidade europeia. Quando a InoDev pensou a sua estratégia de desenvolvimento, tomou a decisão de não se focar e de não se desenvolver em países dependentes da venda de matéria prima, mas em mercados onde exista capital inteletual e capacidade de inovação que possa ser internacionalizável – países como a Ucrânia, Roménia e Letónia oferecem um horizonte mais aliciante do que países focados nas comodities, como Angola e Arábia Saudita. A América Latina, incluindo o Brasil, é um caso à parte, pois já tem massa crítica de inovação e é também forte em matérias primas, pelo que pode ser uma possibilidade.

Porque decidiram avançar com a criação de metodologias próprias? Em que diferem das mais preconizadas por centros de inovação, como Silicon Valley e Israel?
A inovação é, muitas vezes, confundida com invenção. O processo de invenção ou a idealização de um conceito é distinto da inovação, cujo objetivo é transformar essa mesma ideia ou conceito em valor, em dinheiro. O movimento do empreendedorismo tem sido ultimamente bastante estimulado, pois há um crescimento orgânico que torna, por tentativa e erro, bastante eficaz o processo de crescimento dentro de um setor de ponta no conhecimento. O entusiasmo com que jovens e menos jovens se dedicam a um projeto novo, fruto do seu trabalho ou do conhecimento científico adquirido, é extremamente eficaz na criação de novos negócios.

Portugal tem vindo a criar um ecossistema nesta área, mas há ainda vários custos de contexto que é necessário libertar para acelerar o processo, especialmente as leis sobre falências e o estigma social associado ao falhanço que, nos países que têm mais sucesso nesta área, como os Estados Unidos, funciona exatamente ao contrário.

Projetos para o futuro…
O maior risco duma empresa como a nossa é a exposição a fundos públicos. As empresas habituaram-se, nos últimos tempos, a só investirem em inovação coparticipadas por fundos públicos que, além de incrivelmente morosos para as necessidades de mercado, obrigam as empresas a criar estruturas de controlo e burocracia que limitam muito o efeito dos mesmos. As mudanças políticas recentes pararam o lançamento dos fundos, que entram em reestruturação cada vez que muda o governo.

Existem tempos muito maus entre a avaliação e a entrega dos primeiros fundos e, sobretudo, não são cumpridos os calendários. Está publicado no Portugal 2020 um calendário de concursos para o ano inteiro e, se formos comparar com os que abriram realmente, é quase ridículo e torna difícil dar um cenário estável aos nossos clientes sobre a disponibilidade de fundos e a sua temporização, face às estratégias de crescimento.

Respostas rápidas:
O maior risco: Mentalidade de inovar para aproveitar fundos.
O maior erro: Gestão de pessoas. Para estar na InoDev, além de competências técnicas, é necessário ter paixão de inovar e ser capaz de seduzir as empresas e as suas equipas para a mudança.
A maior lição que a INODEV pode ensinar: Inovar é um processo que pode ser implementado e é o segredo da sustentabilidade do negócio.
A maior conquista da INODEV: Ter contribuído para a mudança real e decisiva da vida dos seus clientes.

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