Os cavalos estão no planeta Terra há mais 40 milhões de anos do que os seres humanos. Para sobreviverem durante este período tiveram de criar métodos de liderança que só há pouco tempo os humanos começaram a utilizar.

Emily Rogers é a última geração de uma linhagem de mulheres dedicadas à criação de gado e cavalos. A consultora e coach executiva cresceu num ambiente pouco habitual para quem segue a área de negócios e, por isso, tem uma forma diferente de olhar para os métodos utilizados pelos líderes de empresas.

Num artigo que publicou no The Ledger, Rogers apresentou dois ensinamentos de liderança que os cavalos nos podem passar.

A liderança é inerentemente relacional

A primeira lição que a coach interiorizou ao interagir com o seu primeiro cavalo, chamado Blue, consiste na importância de sermos conscientes da energia que passamos aos restantes membros da equipa.

Dado que no seu habitat natural os cavalos são alvo de emboscadas por parte de predadores, o sentimento principal destes animais é o medo. Ao interagir com Blue, Emily apercebeu-se de que se estivesse calma e relaxada, o cavalo espelhava o mesmo estado de espírito. O mesmo acontece quando o sentimento é de ansiedade ou de inquietação.

Como são presas, os cavalos dependem da capacidade de interpretar o comportamento dos seus potenciais predadores. Esta característica torna-os altamente sensíveis na forma como as pessoas os tratam, o que levou Rogers a pensar na maneira como os líderes expõem as suas emoções no local de trabalho.

Durante esta epifania, Emily Rogers começou a tomar consciência da “energia” que passava aos seus colaboradores. Este ensinamento foi aprofundado quando levou o segundo cavalo para o rancho. Ao contrário de Blue, este tinha tido um background de negligência. Tal situação requeria que a coach fosse uma líder calma, confiante e segura, de forma a que o cavalo se sentisse da mesma forma. Caso acontecesse o oposto, o Peyton, assim de chamava, sentir-se-ia ansioso e com medo.

Da mesma forma que os cavalos, também as pessoas precisam de um ambiente em que sintam que é seguro trabalhar e brincar. Alguém que esteja numa posição de liderança precisa de estar consciente das suas emoções. Em oposição a esta prática, Rogers acredita que os líderes que não têm esta self-awareness podem inconscientemente criar um ambiente de medo, caos e drama – o que não é o objetivo de alguém numa posição de liderança.

“Uma das responsabilidades mais importantes de um líder é criar um ambiente que dê as condições psicológicas necessárias para os membros da equipa poderem prosperar”, concluí a consultora.

A liderança de uma equipa é partilhada e não uma hierarquia

O conceito de liderança partilhada é relativamente novo para os humanos. Contudo, os cavalos já utilizam esta estratégia há milhões de anos – estes animais estão no planeta há mais 40 milhões de anos do que nós.

Na realidade, esta é a forma como uma cavalaria se torna ágil e se consegue facilmente adaptar às circunstâncias menos positivas. Dado que estes animais estão em constante movimento, se só houvesse um líder no grupo, este precisaria de ter capacidade para se adaptar e comandar os seus pares entre os vários ambientes. No entanto, não é isto que acontece. Os cavalos utilizam as mais-valias dos vários membros para prosperarem. Numa situação de perigo, enquanto que a égua líder direciona a cavalaria, o macho líder protege os que estão mais atrasados. Porém, não é nenhum destes dois membros do grupo que alerta os restantes. Este é dado por um líder passivo que fica em estado de vigia para perceber se há predadores por perto enquanto os outros se alimentam.

As cavalarias mais dinâmicas procuram partilhar a liderança e utilizam as forças dos cavalos para beneficiarem o grupo. Com este método, cria-se harmonia e colaboração, em vez da centralização de poder de um líder que não se sabe adaptar a todos os ambientes.

O mesmo acontece nas equipas de trabalho. As mais funcionais têm vários líderes que partilham o poder com base nas suas virtudes. Desta forma, é criado um ambiente de segurança emocional, colaboração e, acima de tudo, confiança na liderança.

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