Melhorar o sono, diminuir as insónias e aumentar o foco são apenas alguns dos benefícios das apps focadas em mindfulness.

Se há alguns anos era complicado convencer investidores a apostarem num projeto focado em mindfulness, com o desenvolvimento dos estudos focados na saúde mental este tipo de empresas começou a despertar a atenção dos fundos milionários à procura do próximo grande negócio.

Empresas como a Calm, que levantou recentemente uma ronda de investimento que a colocou com uma avaliação a cima dos 215 milhões de euros, ou como a Headspace, que tem uma avaliação semelhante à Calm mas que já conta com mais de 30 milhões de utilizadores ativos, são um bom exemplo tanto da atratividade do negócio para os investidores, como também da popularidade entre os utilizadores de smartphones.

Algumas das razões para este setor ter crescido prendem-se com as provas de que algumas destas aplicações mobile podem melhorar o sono e diminuir as insónias e aumentar o foco. Até o sistema nacional de saúde britânico já aprovou estes métodos com a finalidade de reduzir a ansiedade, depressão e stress.

Mas o que é o mindfulness e em que medida o pode ajudar? A ideia por trás do mindfullness – ou atenção plena, na tradução direta para português – é haver uma constante consciência do que se está a passar dentro e fora do nosso corpo, momento a momento. Este conceito enuncia a necessidade de prestar mais atenção ao presente, afirmando potenciar o bem-estar.

Mark Williams, antigo diretor do Oxford Mindfulness Centre, é um dos especialistas neste tema. Em declarações ao blog do sistema nacional de saúde do Reino Unido, explicou que “é fácil deixarmos de prestar atenção ao mundo à nossa volta. É também fácil perdermos contacto com a forma como os nossos corpos se sentem e acabamos por viver ‘nas nossas cabeças’ – apanhados pelos nossos pensamentos, sem pararmos para nos apercebermos como estes estão a condicionar as nossas emoções e comportamentos”.

Apesar de haver apoiantes da ideia de que para meditar ou atingir um estado de atenção plena precisamos de nos desligar de tudo, incluindo aparelhos como os smartphones, a verdade é que o suporte digital – que tanto pode ser em formato de vídeo, como de áudio – parece estar a resultar para as dezenas de milhões de utilizadores acumulados pelas várias apps.

É, no entanto, importante referir que estas aplicações mobile não podem ser utilizadas como um substituto dos cuidados de saúde mental, mas sim um complemento que ajuda as pessoas a sentirem-se melhor.

Do ponto de vista do negócio, estas apps operam quase todas em formatos gratuitos, onde colocam anúncios para gerar receitas, ou em formatos de subscrição, onde os utilizadores fazem um pagamento mensal para acederem aos conteúdos disponibilizados pela plataforma.

O crescente interesse dos utilizadores por temas à volta da saúde mental está a criar oportunidades de negócio. Em esclarecimentos ao TechCrunch, Acton Smith, cofundador da Calm, explicou que “este é um negócio bem-sucedido, com grandes margens de lucro e um mercado gigante. Se pensarmos na Nike e no boom do mercado do exercício físico que já vale milhares de milhões, não há razão nenhuma para que o da saúde mental não venha a valer”.

“Durante muito tempo houve uma certa vergonha e constrangimento em falar dos nossos sentimentos. Muitas pessoas estão-se a aperceber que todos, em tempos diferentes, passamos por momentos difíceis”, acrescenta um dos criadores da Calm.

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