A Associação Portuguesa de Blockchain e Criptomoedas vai começar a apoiar as start-ups a realizarem as suas Initial Coin Offerings (ICOs).

Ontem, em conversa com o Link to Leaders, o presidente da Associação Portuguesa de Blockchain e Criptomoedas (APBC), Fred Antunes, revelou que esta entidade vai começar a promover e apoiar as Initial Coin Offerings (ICOs) de start-ups.

Garantindo-nos que têm uma equipa que estuda o processo legal e jurídico deste novo formato de angariação de fundos, de forma a que não entre em conflito com os “princípios fundamentais da República Portuguesa e até da própria lei europeia”, Fred Antunes afirmou que a APBC tem recebido vários contactos de ICOs que querem ser promovidas junto dos seus associados.

“Desde o princípio isso fez-me todo o sentido, mas surge uma questão que é: se a APBC comunica aos sócios de determinada ICO e estes compram tokens [divisas digitais]– ou, no fundo, investem nesse projeto – e depois o projeto falha, a APBC fica aqui numa situação um bocado complexa”, adianta Fred Antunes. Assim, e de forma a salvaguardar a integridade da associação, as start-ups ou empresas que se queiram candidatar a este tipo de apoio têm de cumprir certos requisitos:

  • Tem de haver um pré-ICO bem-sucedido, ou seja, uma oferta inicial em ambiente privado. Como nos explica Fred Antunes, este “aquecimento” é, por norma, destinado a investidores privados ou pessoas mais próximas do projeto. Depois de bem-sucedido, a associação pode promover a iniciativa perante os sócios porque isso é uma primeira garantia de que houve um conjunto de pessoas que correu o risco e que acredita no projeto.
  • Há ainda uma avaliação à priori de cada ICO e da respetiva equipa. Isto é feito através da análise de perfis das redes sociais e profissionais, de forma a perceber o número de pessoas que estão incluídas no projeto e se estas são reais. Depois desta análise à equipa, é feita uma avaliação ao próprio ICO através de “uma série de sites que existem hoje em dia de cotação da credibilidade das ICOs, nomeadamente o ICObench”. Só os projetos com cotações superiores a 4.5  (numa escala de 5 ) são passíveis de serem promovidos pela APBC.

Para ser feita esta divulgação, a associação cobra um determinado número de tokens ao ICO que, posteriormente, serão distribuídos pelos associados ativos, de forma a que estes beneficiem daquilo que a associação recebeu enquanto patrocínio.

Apesar de haver um crescente interesse sobre este tema em Portugal, ainda não existe um número considerável de start-ups a tomarem este tipo de iniciativas para financiarem os seus projetos. Isto, segundo Fred Antunes, acontece pelo facto de existir uma lacuna no mercado português. “Quem já entende de blockchain e programa neste tipo de linguagens, quem já domina totalmente a programação de smart contracts e a elaboração de ICOs já está alavancado num projeto internacional e a faturar alguns milhões de euros”. Por outro lado, há quem ainda não tenha este tipo de competências, mas que está a desenvolvê-las. E é deste último grupo que Fred Antunes acredita que surjam as oportunidades neste campo.

Segundo nos adiantou o presidente da APBC, a iniciativa entrará em funcionamento a partir da próxima semana.

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