A gigante de e-commerce chinesa Alibaba quer abrir as portas do mercado chinês às empresas portuguesas. Por isso, deixa conselhos aos empreendedores que pensam rumar com os seus produtos ao Oriente.

A Alibaba realizou ontem a sua primeira conferência oficial em Portugal. “A porta de entrada para as empresas portuguesas na China: e-commerce, tecnologia e inovação” foi o tema do evento que decorreu durante a manhã do dia 29 de novembro no Museu do Oriente, em Lisboa.

Desta reunião, que contou com alguns dos líderes da gigante chinesa e com representantes de mais de 300 negócios e empresas, ficou a intenção de abrir mais parcerias com empresas portuguesas que queiram vender os seus produtos na Tmall, um site de comércio gerido pela Alibaba que tem mais de 500 milhões de utilizadores ativos por mês.

O mercado chinês – a visão da Delta, Parfois e Aptoide
Delta, Parfois, Renova, Prozis e Cutipol são apenas cinco nomes das empresas portuguesas que já estão presentes nesta plataforma de e-commerce. A grande atração deste novo canal que está – aos poucos – a ser aberto aos portugueses é a dimensão do mercado. No caso da Delta, por exemplo, Rui Miguel Nabeiro, o CEO da empresa portuguesa, referiu que, apesar de só “8% dos chineses beberem café, isto equivale a mercado de 110 milhões de pessoas”. A este número junta-se a classe média em clara expansão. Em apenas cinco anos, as pessoas inseridas neste grupo aumentaram de 300 milhões para 600 milhões, o que se traduz num maior poder de compra e numa grande oportunidade para os retalhistas e produtores de bens de consumo.

A atração é facilmente percetível quando olhamos para os números. Para Frederico Pulido, diretor de e-commerce da Parfois, a pergunta que agora se deve impor às marcas é: “porque é que ainda não estamos na China?”. A marca portuguesa de acessórios femininos já está um passo à frente das suas concorrentes lusas no mercado chinês, contando com uma loja em Shangai, onde os clientes experimentam e compram as peças, mas sem nunca as levarem pela porta da frente da loja. Em vez disso, as compras são enviadas para casa dos clientes, aumentando assim o potencial do comércio online e criando uma experiência que liga o mundo físico ao digital.

Já a Aptoide, loja portuguesa de aplicações mobile liderada por Paulo Trezentos, rumou a Oriente com outra intenção. Para além de ser um país com um grande potencial no mercado online, a China é uma das maiores fabricantes de smartphones do mundo, sendo a província de Shenzhen conhecida como a capital mundial de hardware. Por esta razão, em vez de navegar para o Oriente com o objetivo de vender, a Aptoide estabeleceu como meta aumentar as parcerias com os fabricantes de telemóveis chineses. “Há três anos descobrimos que os fabricantes eram um parceiro ideal para a nossa loja de apps. Abrimos um escritório na China para estarmos mais próximos dos fabricantes”, explicou Trezentos.

O que fazer para entrar na China
Apesar de ser um público bastante apetecível devido à imensidão de potenciais clientes, a ideia que ficou do evento é que a China não é – de todo – um mercado fácil de penetrar. Alba Ruiz Laigle, gestora de desenvolvimento comercial para Portugal e Espanha da Alibaba Group, referiu que é fulcral que as empresas portuguesas recorram a um parceiro local para conseguirem uma abordagem de mercado eficaz.

Ruiz Laigle deixou ainda algumas luzes aos empresários portugueses sobre como entrar no mercado de forma eficiente:
– criar uma equipa local dedicada;
– construir uma parceria sólida com alguém com experiência na plataforma da Alibaba;
– investir em marketing;
– definir o ponto de venda único;
– analisar o mercado, os consumidores e os competidores;
– pensar a longo-prazo.

Na mesma tónica, Rui Miguel Nabeiro da Delta explicou que é importante que os portugueses vão para a China e mantenham os pés assentes na terra. “Quando vamos para lá não podemos esperar conquistar mundos e fundos”, explicou.

Paulo Trezentos fez o mesmo apelo, acrescentando ainda que é importante levar a cabo uma investigação antes de se estabelecerem no país, visto que “não podemos ir para a China a pensar que as soluções que funcionam em Portugal ou na Europa também vão funcionar lá”. Outro conselho relevante é o da persistência. No caso da loja de apps, “só ao final de dois anos é que tivemos a parceira que queríamos” e é por isto que os empresários que estabelecerem um escritório na China não devem “esperar resultados imediatos”.

Outra grande diferença no modus operandi das empresas portuguesas e das orientais – e que já tinha sido apontad numa entrevista do Link to Leaders pelo diretor da Konica Minolta Portugal – diz respeito às relações criadas no âmbito das parcerias. Enquanto que os portugueses estão habituados a ter parcerias curtas, os chineses prezam e apostam em relações a longo-prazo.

Leia ainda o estudo: “As razões para as grandes tecnológicas ocidentais falharem na China”.

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