Esta é a proposta da Graviky Labs, uma start-up que está a transformar a poluição atmosférica em tinta utilizada em obras de arte.

A poluição atmosférica é um problema bastante grave em várias partes do mundo. Entre as zonas mais afetadas estão os países asiáticos que, nas últimas décadas, cresceram exponencialmente.

Este crescimento teve um papel destruidor no que toca à qualidade do ar que se respira em grandes cidades, como Bombaim, na Índia. Esta é a cidade natal de Anirudh Sharma, cofundador da start-up Graviky Labs, que desenvolveu a KAALINK, um aparelho que captura os gases emitidos por veículos e chaminés para que sejam posteriormente transformados em tinta, que assume o nome de AIR-INK.

O projeto nasceu da determinação do jovem empreendedor em criar algo a partir da poluição que estava a ser emitida para a atmosfera. Como o imortalizado designer, arquiteto e inventor norte-americano Buckminster Fuller um dia referiu: “a poluição não é nada mais que os recursos que não estamos a recolher. Permitimos que estes se dispersem porque não temos conhecimento sobre o seu verdadeiro valor”.

AIR-INK: arte a partir da poluição atmosférica

Artista Kristopher Ho a utilizar a AIR-INK para melhorar o espaço público em Hong Kong. Fonte: Campanha Kickstarter da Graviky Labs.

O aparelho da Graviky Labs não só captura os componentes necessários para criar a tinta, como também não permite que o ar que sai dos tubos de escape e das chaminés seja emitido para a atmosfera. Ao todo, a start-up já utilizou mais de 1,6 biliões de litros de ar e uma campanha bem-sucedida no Verão deste ano, tendo conseguido mais do triplo do dinheiro inicialmente pedido, que levou a AIR-INK a novos horizontes.

Em apenas 40 minutos num tubo de escape de um carro alimentado a diesel é possível transformar as partículas capturadas em tinta para uma caneta. Isto é feito através da extração dos materiais do aparelho e utilizando solventes químicos que transformam, o que antes era poluição, em tinta.

A Graviky Labs está assim, através da arte, a trazer a debate público um tema transversal aos países asiáticos. Em 2015, só na China e na Índia morrem mais de um milhão de pessoas devido à poluição atmosférica. Segundo um relatório da universidade de Harvard, o número de vítimas mortais causadas pela emissão de gases devido à queima de carvão pode vir a triplicar nos próximos anos.

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