Um novo estudo levado a cabo por professores de três universidades diferentes do Reino Unido descobriu algumas razões para não haver mais investidoras a contribuir ativamente no universo das start-ups.

“Onde andam as business angels?” Esta foi a pergunta de partida do estudo realizado por Richard Harrison (University of Edinburgh Business School), Colin Mason (University of Glasgow) e Tiago Botelho (University of East Anglia), que tinha como objetivo perceber se as redes só de mulheres investidoras chegariam para equilibrar o ecossistema de business angels.

Enquanto que nos Estados Unidos 20% dos business angels são mulheres, na Europa a proporção é de apenas 11%. Este número agrava-se no Reino Unido, onde só 9% dos investidores-anjo são femininos.

Algumas das razões para os números serem tão baixos estão patentes neste novo estudo britânico. Primeiro, as mulheres têm menos probabilidades de terem experiência nos quadros mais altos das empresas, o que significa que lhes falta experiência a levantar investimento.

Para além disto, as investidoras tendem a tomar uma posição mais conservadora, com maior aversão ao risco e com investimentos menos frequentes e em menor quantidade. É também menos provável que apoiem empresas inovadoras ou que invistam em fases mais embrionárias dos projetos.

Há também outro grande entrave ao desenvolvimento das business angels. Apesar de organizações como a European Business Angel Network (EBAN) – liderada por Candace Johnson – ou o Business Angels Club de Lisboa – liderado por Isabel Neves – serem comandadas por mulheres, é três vezes mais provável que os sindicatos e redes deste género sejam chefiados por homens.

Na Europa, um em cada três destes grupos não tem qualquer mulher como membro e as investidoras que se juntam tendem a partilhar as mesmas características e comportamentos que os homens do mesmo círculo, mas não participam tão ativamente na rede nem dão tanto uso ao conhecimento ou opinião dos seus colegas.

Os três professores que efetuaram este estudo referem que, atualmente, é mais provável que as mulheres se juntem a grupos 100% femininos. A conclusão é que estas iniciativas podem ser grandes oportunidades de aprender e de encorajar a investir mais ativamente. No entanto, não são suficientes para melhorar o equilíbrio de género, até porque há “benefícios nas diversidades de experiência e de expertise nas indústrias”, explica Richard Harrison.

O professor da business school de Edimburgo sublinha, ainda, que é necessário mudar o mindset das investidoras, de forma a que estas não se subestimem na altura de levar a cabo investimentos mais arriscados ou que não se sintam desencorajadas a juntarem-se a redes de business angels onde os homens são a maioria.

“Está na altura de nos distanciarmos do passado para criar, desenvolver e apoiar oportunidades para investidores novos e já existentes, independentemente da sua idade ou género”, conclui Harrison.

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