Quando iniciei a minha vida profissional precisamente há cerca de 20 anos, aceitei o meu primeiro desafio – assistente universitária no Departamento de Economia e Gestão da Universidade da Beira Interior.

Sendo que sou de Tomar (Ribatejo) tive de mudar-me de “armas e bagagens” rumo à Covilhã, onde trabalhei e vivi cerca de quatro anos. Pelo meio, ainda decidi fazer um Mestrado em Economia do Ambiente na Universidade Técnica de Lisboa, durante dois anos. Vivi uma trilogia durante quatro anos em que o meu salário era praticamente para livros, propinas, deslocações, estadia e alimentação.

Questionavam-me muitas vezes, mas compensa-te?
Depende da definição que lhe atribuirmos. Visto a curto-prazo, talvez não. Bastava umas simples contas e rapidamente percebia que não. Mas a médio e longo-prazo, saberia que era um grande investimento para mim, além de que, o que fazia – servir os meus alunos e prepará-los para a vida empresarial – fazia-o com muita paixão e gosto.

A verdade é que quando decidi deixar a vida académica, aventurei-me pela capital, no mundo empresarial desde cedo, com destaque no mundo das tecnologias de informação, mas mantive sempre a mesma atitude e convicção –  que teria de aproveitar todas as oportunidades que me fossem dadas pelos meus diferentes empregadores.

Todas elas mostraram-me caminhos onde podia aprender, crescer, inovar e criar. Com muito “sangue, suor e lágrimas” e ainda ser mãe, vi em todas, oportunidades que me permitiram crescer como pessoa e profissional. Aprendi cada vez mais a desenvolver talentos e dar aos outros as mesmas oportunidades que me foram dadas. Acho que é uma forma de ser grata por aquilo que acreditaram em mim e retribuir a outros.

Nos últimos 10 anos, procurei fazer o mesmo que outros tinham feito por mim. Dar oportunidades, espaço para crescer, formar e treinar pessoas melhores que eu, muito melhores que eu.

O meu papel, nos últimos anos tem sido o de servir (note-se, não é o mesmo que ser subserviente). O verdadeiro líder a meu ver deve estar preparado para servir. A essência de se ser um servo está no ponto situado entre o abraço e a palmada.

Servir é simplesmente seguir o caminho da identificação das necessidades legítimas das pessoas confiadas ao nosso cuidado. Atenção que há uma grande diferença entre querer algo e ter necessidade de algo (deixarei este tema para outro artigo).

O que quero transmitir é que aqueles que considero potenciais líderes futuros, ainda não perceberam que é preciso “agarrar” as oportunidades que a vida nos dá, e ver mais além do “aqui e agora”. Que é preciso “sangue, suor e lágrimas”, humildade e uma determinação feroz para ir mais longe. Como escreveu Jim Rohn “Para cada esforço disciplinado há uma retribuição múltipla”.

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Sobre o autor

Sónia Jerónimo

Sónia Jerónimo tem mais de 20 de experiência na área da gestão e liderança de empresas ligadas às tecnologias de informação. Após a sua licenciatura em Economia, iniciou a sua carreira no mundo académico como professora nas áreas de Economia... Ler Mais