Gerd Leonhard vai estar em Portugal, em outubro, para o Business Transformation Summit, organizado pela CEGOC no Centro de Congresso Lagoas Park. O Link To Leaders aproveitou para falar com o future strategist e CEO da The Future Agency sobre os desafios da transformação digital.

Músico, consultor internacional e opinion maker, Gerd Leonhard fala-nos da sua visão futurista e faz uma abordagem pragmática do pensamento estratégico, para dominar aspetos complexos que ditam a nossa evolução, ou extinção, na Era Digital. No seu mais recente livro, “Technology vs. Humanity”, o future strategist e CEO da The Future Agency analisa o “pacto faustiano” que estamos a fazer com as tecnologias, que são capazes de nos ajudar a alcançar níveis de crescimento exponenciais.

Ao Business Transformation Summit, aquele que foi considerado pela Wired, em 2015, como uma das 100 pessoas mais influentes da Europa vai trazer a sua prespetiva sobre as transformações da tecnologia mais significativas que irão acontecer nos mercados, em geral, e nas empresas, em particular, no futuro próximo.

Como é que um músico se torna num estratega do futuro?
Iniciei o meu percurso musical, em particular na música digital, em 1995. Posteriormente dediquei-me a projetos de empreendedorismo e lancei aproximadamente 10 start-ups e, tal como a maioria das empresas em 2011, sofri muito com a crise económica. Em 2014, escrevi o meu primeiro livro, “O Futuro da Música”, que contribuiu para o meu reconhecimento como orador e visionário. Atualmente, trabalho com outros 47 visionários de todo o mundo num trabalho de consultoria junto de centenas de grandes marcas e clientes.

Está a tecnologia a mudar a forma como pensamos e nos comportamos?
Essa premissa é o mínimo que podemos dizer quando falamos sobre tecnologia. De facto, a tecnologia está a alterar a forma como comunicamos, a nossa cultura, a forma como “fazemos” negócio, no fundo a nossa própria sociedade e, em breve, a nossa biologia e os nossos genes (um dos maiores desafios éticos).

E sobre os valores? Estão as pessoas a tornarem-se melhores ou piores?
O ser humano tem nas suas mãos a oportunidade de todos os dias se tornar melhor, em quase todos as áreas – conteúdo, media, comunicação, saúde, alimentação e energia. A tecnologia permitirá resolver desafios enormes, mas por vezes pode também contribuir para aquilo que designamos de “desvio padrão”. A tecnologia tem tendência a ser utilizada em excesso e no futuro esse abuso pode ser prejudicial para todos. É necessário desenvolver uma liderança sábia e orientada!

Quais vão ser as “megashifts” do consumo nos próximos anos?
Aquilo a que chamo de “megashifts”: digitalização, mobilização, automação, dataficação, cognição, virtualização, robotização entre outros … e, claro, os tópicos que integrei no livro e que assentam na inteligência artificial, realidade aumentada e virtual, internet das coisas e medicina personalizada.

E as que vão mudar radicalmente a nossa sociedade e a nossa economia?
A combinação de todas elas: são exponenciais, combinatórias e interdependentes… as principais tendências como a computação cognitiva contribuem para um vasto número de alterações e mudanças.

Quais os modelos de comércio online que recomenda?
O modelo das plataformas está a conquistar uma cada vez maior uma posição de destaque. É fundamental conectar os potenciais compradores aos vendedores através de um vasto rol de poderosos serviços. Além disso, é facilmente percetível a maior aposta que tem sido feita no campo das “experiências” em detrimento de nos produtos e serviços.

Qual é o futuro das redes sociais e do comércio feito através de estes canais?
Trata-se do que hoje é considerado normal, mas estou convencido que em breve iremos assistir a um reforço da regulamentação e das diretrizes a seguir à medida que vão aumentando as preocupações com a proteção de dados.

O que tem de mudar no conteúdo mobile?
A colocação de publicidade durante os vídeos já morreu… temos de reinventar completamente a publicidade enquanto conteúdo.

Como pode a inovação ser potenciada e estimulada?
Na minha opinião passa mais pela transformação do que pela inovação… temos de aprender a trabalhar no que é hoje importante, mas também no que o será amanhã. É fundamental que integre experiências e entretenimento. “Assuma menos e descubra mais”, é a premissa que defendo.

É um dos oradores do Business Transformation Summit. Quais as principais mensagens que vai trazer?
A transformação é exponencial … o pensamento linear é perigoso. A forma como o negócio era feito até aqui já não existe. Os dados são o novo combustível e a inteligência artificial a nova eletricidade. Abrace a tecnologia, mas não fique refém dela.

O que espera do evento?
Espero que exista uma audiência curiosa e envolvida.

Respostas curtas
O risco mais alto
: querer evitar todos os riscos.
O maior erro:  assumir que o futuro é uma extensão do presente.
A melhor ideia: pensar o futuro.
A lição mais importante: recomeçar depois do crash da internet de 2001.
A maior conquista: o meu novo livro “Technology Vs Humanity”.

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