“The bigger the world economy the more powerful its smallest players”
“The entrepreneur is also the most important player in the building of the global economy.”
“E-mail is a tribe-maker. Eletronics makes us more tribal at the same time it globalizes us”
“The deployment of power is shifting from the state to the individual. From vertical to horizontal. From hierarchy to networking. Power is flowing in all directions – unpredictable, a little chaotic, certainly messy – not well ordered like hierarchical, top-down arrangements.”

“The global paradox”, 1994, John Naisbitt

Apesar de já contar mais de 20 anos, o livro de John Naisbitt revela-se mais atual do que nunca nas suas premonições. De facto, a disseminação da eletrónica e a digitalização da informação que lhe esteve associada, provocaram uma transformação nas relações económicas e sociais, a todos os níveis.

Em vagas sucessivas – a integração de conteúdos e meios de distribuição, a revolução das dot.com e o “data mining” e a internet das coisas – vivemos, desde há três décadas, processos transformacionais com um impacto, uma velocidade e uma escala global nunca anteriormente atingidos.

Inevitavelmente, estes processos terão avanços e recuos e alguns deles poderão até fracassar – o que convém não esquecer, por forma a evitar as consequências nefastas de otimismo e de facilitarmos deslocados – mas o certo é que vivemos uma época em que as fronteiras são mais ténues do que nunca e, mesmo as que existem, são mais facilmente ultrapassáveis do que em qualquer tempo, no passado.

Como John Naisbitt refere, quanto maior for a economia global, mais oportunidades existem para os atores mais pequenos. E essa realidade é bem patente no caso de Portugal. A possibilidade de alcançar mercados distantes e de mobilizar formas de sustentação dos negócios é agora muito maior do que no passado, em que as barreiras físicas, legais e burocráticas impunham um horizonte de intervenção aos nossos empresários, quase sempre limitado ao retângulo atlântico e, parcialmente, às colónias africanas.

Desse ponto de vista, Portugal poderá ser um forte beneficiador das novas realidades da economia mundial.

O nosso país nunca passou por uma verdadeira revolução industrial. Tal deveu-se a uma enorme debilidade do nível de capital acumulado, debilidade resultante de aspetos históricos que seria extemporâneo abordar nesta crónica, mas reforçada pelo período pós-25 de Abril em que, através de uma nacionalização selvagem de todos os grupos económicos portugueses, se assistiu a uma maciça destruição de capital.

Ora, ao invés da era da industrialização assente em enormes investimentos em capital físico, exigindo elevadas injeções de capital financeiro, a vaga atual de transformação económica assenta, fundamentalmente, na maximização da eficiência do capital intangível (inteletual).

O capital inteletual tem a ver com capacidade de inovação, com talento, com criatividade e geração de novos negócios e novas ideias. E, nessa matéria, os portugueses dão meças a qualquer outro país.

De facto, nos anos mais recentes, assistimos à emergência de uma nova geração de jovens empreendedores que encaram o mundo sem fronteiras e possuem iniciativa e formação suficientes para se posicionarem nas mais diferentes plataformas de negócio, à escala global.

Quando desempenhei funções como Secretário de Estado da Inovação e Empreendedorismo, tive a possibilidade de me aperceber dessa nova realidade, de uma forma que até aí me tinha passado ao lado.

De facto, e ao contrário, por exemplo, da minha geração, os jovens estudantes passaram a colocar o empreendedorismo nos seus planos de carreira, como um caminho possível e muito atrativo, longe da visão dos meus tempos de estudante, em que o objetivo era conseguir uma boa carreira profissional, como quadro de uma empresa ou da administração pública.

Como referi em algumas presenças em eventos de jovens empreendedores e de conferências de start-up’s, esses jovens estudantes ou recém-licenciados estão a protagonizar uma revolução silenciosa que transformará profundamente o cenário da economia portuguesa.

Claro que, como em tudo o que é estrutural, essa revolução requer persistência, determinação e tempo, mas estou seguro de que poderemos vir a ter, no futuro, um Portugal mais presente na dimensão internacional e com lideranças mais esclarecidas e abertas aos desafios mundiais.

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Sobre o autor

Franquelim Alves

Franquelim Alves é Diretor-Geral da 3anglecapital, sociedade especializada em operações de M&A e serviços de “advisory” financeiro. Licenciado em economia, pelo ISEG, detém um MBA em Finanças pela Universidade Católica Portuguesa e o Advanced Management Program da Wharton School of... Ler Mais