O conceito de inovação está inerentemente associado à natureza humana, enquanto propensão natural para pensar e experimentar novas e melhores formas de fazer coisas.

No entanto, a inovação enquanto área de conhecimento, nem sempre obteve a atenção merecida face à sua importância, por ser vista durante muito tempo como um fenómeno aleatório decorrente do acaso.

Foi com Joseph Schumpeter, através duma combinação original de conceitos de sociologia, história e economia, que a inovação surge pela primeira vez como fator explicativo da mudança económica e social. Segundo ele, mantendo-se inalteradas as combinações de recursos, o valor gerado numa economia manter-se-ia o mesmo ao longo do tempo. Schumpeter introduziu nos estudos económicos, na primeira metade do século XX, o conceito de “destruição criativa”, argumentando que o desenvolvimento económico é impulsionado através de um processo dinâmico em que surgem novas combinações de recursos que destroem as anteriores através da concorrência no mercado.

Essas novas combinações poderiam assumir cinco tipos: i) produção de um novo bem ou de uma nova qualidade de um bem; ii) introdução de novo método de produção decorrente de uma descoberta científica ou de uma nova maneira de tratar um bem; iii) abertura de um novo mercado para um determinado ramo da indústria; iv) conquista de novas fontes de fornecimento de matérias-primas ou produtos semiacabados e; v) a introdução de uma nova forma de organização.

O trabalho de Schumpeter inspirou boa parte da investigação relacionada com a inovação e a sua perspetiva foi usada pela OCDE no seu manual de Oslo, como base da definição de inovação enquanto “implementação de um novo ou significativamente melhorado produto (bem ou serviço) ou processo, um novo método de marketing, ou um novo método organizacional”.

A inovação tem sido apontada como um fator explicativo das diferenças de desempenho entre empresas, regiões e países, sendo associada à qualidade dos fatores capital e trabalho em termos de crescimento da produtividade, sendo por isso uma variável relevante para explicar o desenvolvimento económico.

Ao nível das empresas, o caráter inovador está associado à procura de novas ideias que originem novos produtos ou processos e novas formas de organização ou de abordagem ao mercado, através da obtenção de conhecimento sobre as necessidades dos clientes, a capacidade dos concorrentes e a compreensão da sua envolvente, o que possui uma forte relação com o desempenho económico das empresas.

Assim, a motivação das empresas para a inovação, está relacionada com o acréscimo do seu desempenho económico, seja através do aumento das vendas dos seus produtos e serviços para o mercado, seja através da otimização dos custos e recursos necessários à sua atividade económica. Os estudos efetuados sobre o tema demonstram que este efeito é amplificado quando as estratégias das empresas conjugam a inovação  tecnológica, de produto ou processo, com a inovação organizacional, traduzindo dessa forma vantagens competitivas face às empresas que não incluem a inovação nas suas estratégias ou que abordam a inovação de uma forma estreita.

Efetivamente, a inovação organizacional tende a favorecer o desenvolvimento de inovação tecnológica e a combinação dos vários tipos de inovação tende a gerar ativos estratégicos mais difíceis de replicar pelos concorrentes, permitindo, por isso, um desempenho superior. Desta forma, a inovação traduz vantagens competitivas para as empresas pelo que é uma dimensão relevante para as suas estratégias.

O contexto organizacional é assim determinante para os resultados da inovação, cujo sucesso dificilmente ocorrerá num ambiente organizacional desfavorável. Neste âmbito, assume uma especial relevância a orientação estratégica da empresa para a inovação, suportada na priorização da inovação enquanto driver estratégico, na alocação e organização dos recursos organizacionais em torno dessa prioridade, na capacidade de planeamento e monitorização e, relacionada com os restantes, na promoção de uma cultura organizacional de apoio à inovação.

* Direção de Investimento para a Inovação e Competitividade Empresarial / IAPMEI

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Sobre o autor

Pedro Cilínio

Possui 20 anos de experiência na área da avaliação de projetos de investimento, grande parte dos quais na gestão de equipas e unidades de negócio, tendo adquirido competências em reengenharia de processos, gestão de projetos de tecnologias de informação, inovação... Ler Mais