Wycliffe Waweru cresceu em Buruburu, uma área residencial de classe média no leste de Nairobi, onde andava de bicicleta todo o dia com os amigos. O seu fascínio pelas bicicletas foi além de sua infância e tornou-se negócio.

Na adolescência, durante as férias escolares, passava o tempo livre na Avenida Moi a visitar uma loja chamada Kenya Cycle Land. Sentava-se na secção de reparações, observava os mecânicos trabalharem e sonhava vir a ter uma bicicleta de gama alta como as que eram vendidas na loja.

“Eu sabia que os meus pais não me dariam dinheiro de “mão beijada”, para comprar uma bicicleta, mas ficava feliz por estar naquela loja”, contou Waweru, 30 anos, à publicação NewAfrican. “Eu sabia que não podia pagar, mas não conseguia sair de lá”.

Embora tenha andado de bicicleta desde os cinco anos, só aos 13 teve a primeira bicicleta. “Os meus pais compraram-me a primeira bicicleta e foi roubada”, disse. Licenciou-se em sistemas de informação empresarial e encontrou um emprego, com um bom ordenado. Mas percebeu que estava confinado. “O emprego trouxe-me dinheiro suficiente para comprar seis bicicletas de montanha, mas não estava a andar em nenhuma delas. Trabalhava sete dias por semana”, explicou.

No final de 2009, deixou o trabalho para transformar a sua paixão pelas bicicletas em algo mais. Voltou para Buruburu, onde tudo começou, e juntou-se a Kevin Okello, dono da Bike Skills, uma pequena loja com cerca de 300 bicicletas. Começou a vender bicicletas em segunda mão na berma da estrada, principalmente para os quenianos de classe média. O negócio cresceu e acabou a vender para diplomatas, agências de ajuda e funcionários da ONU.

Rapidamente percebeu que havia uma necessidade maior: muitos clientes que simplesmente não podiam comprar as bicicletas de uma só vez. Assalariados com ordenados reduzidos que trabalhavam em indústrias, para quem andar era o único modo de se deslocarem.

Em 2012, a Waweru foi ter com a Autofine Limited, uma oficina de reparação de automóveis propondo-se a fornecer aos seus funcionários bicicletas com o seu inovador projeto de “micro-leasing”. Este foi o seu projeto piloto inicial: os funcionários escolhiam as bicicletas e pagavam em pequenas parcelas mensais.

Para este projeto, os funcionários da Autofine receberam uma bicicleta usada por um valor que mensalmente era deduzido no salário. Ao reduzirem os custos de transporte, cada pessoa no programa economizou quase 20 dólares por mês. Mas também reduziram o tempo de viagem, aumentaram a produtividade e a eficiência no local de trabalho. Além disso, descobriram a capacidade de ter negócios externos com as suas próprias bicicletas.

“Foi um grande êxito. Os miúdos do projeto piloto espalharam a palavra e toda a gente queria uma bicicleta. Tínhamos de fazer dela uma história de sucesso queniana”, referiu o jovem empreendedor.

Quem pode comprovar o sucesso é Mark Munyasia, que trabalha como agente de segurança num banco. Agora começa a trabalhar em 15 minutos, quando antes demorava uma hora e meia. “De facto, ajudou-me e mudou a minha vida, porque venho diretamente para o trabalho, faço exercício e não gasto dinheiro. Tudo o que economizo permite-me comprar leite para os meus filhos”, disse Munyasia.

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