É sabido que, para além de uma boa ideia e de um promissor plano de negócios, o investimento numa start-up deve-se muito à equipa fundadora. Será que tem as cinco caraterísticas-chave?

Quando uma start-up pretende levantar investimento, depara-se com muitos investidores que não tomam a sua decisão sem primeiramente terem conhecido toda a equipa fundadora. Quais os traços de personalidade que os investidores consideram mais importantes num empreendedor?

Arie Abecassis, investidor norte-americano, aponta esta questão como uma das que mais vezes lhe é colocada. Com base nos traços que mais procura e numa pesquisa que fez entre investidores de empresas tecnológicas como o Pinterest, a Uber, a Boxed e a SeatGeek, partilhou no Entrepreneur as cinco principais caraterísticas quando se trata de decidir pelo investimento.

1. Tenacidade

Este acaba por ser o “ingrediente” mais crítico ao empreendedor bem-sucedido. O valor da tenacidade não se perdeu com Woody Allen, a quem é atribuída a ideia de que “80% do sucesso está em mostrar-se”. Nihal Mehta, da ENIAC Ventures, procura nos fundadores a capacidade de ultrapassarem problemas. Este refere que “as start-ups sofrem muitos avanços e recuos, altos e baixos. Fundadores que estão um passo à frente conseguem ver cada desafio e ultrapassá-lo”.

2. Paixão

A motivação está relacionada com a tenacidade – porque é que um empreendedor está tão focado em resolver um determinado problema? As hipóteses são que, caso esteja apenas à procura de fama e fortuna, a inevitável frustração que irá sentir ao longo do caminho quando as coisas não correm como esperado pode causar estragos na paixão necessária ao sucesso. Alguns investidores procuram oportunidades em que o empreendedor esteja a tentar resolver um problema com implicações pessoais. “Gosto de empreendedores que decidem resolver um determinado problema que lhes está a causar dor a nível pessoal”, referiu Vasu Kulkarni, da Courtside Ventures. “A convicção necessária para resolver um problema é sempre mais forte quando se está apaixonado por este e, geralmente, advém aspetos que o relacionam pessoalmente com trabalho que realiza”, acrescentou o investidor.

3. Humildade confiante

Embora possa parecer uma contradição, os investidores referem a confiança e a humildade como traços que gostam de encontrar nos fundadores que apoiam. Alterar o status quo exige uma convicção e firmeza capaz de convencer os investidores, os clientes e os colaboradores. Ao mesmo tempo, a capacidade de ouvir e de se ajustar é fundamental para conseguir dar resposta aos constantes desafios. Para tal torna-se fundamental que seja capaz de deixar o orgulho à porta. David Frankel, da Founder Collective, procura por “audácia”, mas encoraja os empreendedores a conseguirem balanceá-la com um certo grau de humildade e a não se acanharem quando se trata de fazerem perguntas.

4. Clareza de pensamento

Uma linha reta entre um problema e uma solução demonstra um domínio de conhecimento capaz de mostrar o empreendedor como alguém que domina a sua área de atuação, bem como alguém capaz de comunicar com eficácia. É fundamental que seja especialista na sua área, mas se não conseguir mostrar-se como tal poderá passar a ideia de que poderão existir falhas na visão ou na capacidade de execução.

Matt Turck, da FirstMark Capital, referiu que “os melhores fundadores são grandes estudiosos da indústria em que atuam e no empreendedorismo em geral. Focam-se em perceber cada pequena nuance, o que se traduz na clareza do seu pensamento”.

5. Curiosidade

Uma parte importante do ser-se inovador está no pensar em todos as questões negócio. É importante ser-se reativo e responsivo, mas quando combinado com uma abordagem pró-ativa na identificação e resolução dos problemas. Para que tal aconteça é preciso que tenha um determinado nível de curiosidade capaz de se traduzir numa poupança de tempo e dinheiro.

Matt Hartman, da Betaworks, refere que “nós investimos em pessoas que desenvolvem basicamente produtos para novos comportamentos de consumo. Neste tipo de produtos é fundamental ser-se curioso no que toca ao como e ao porque irá desencadear determinado comportamento”.

Não é por acaso que, à medida que as start-ups crescem e passam de um estádio para outro, este seja acompanhado pelo desenvolvimento dos seus fundadores e da equipa executiva.

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