Não é surpresa nenhuma que as empresas norte-americanas lideram o ranking das start-ups mais bem-sucedidas. Saiba o que as distingue das europeias.

Muitos são os que têm o sonho de ter seu próprio negócio e, em tempos de novas tecnologias, a sua própria start-up. Porém, antes de se aventurar no mundo do empreendedorismo, é preciso estar ciente das dificuldades que encontrará pelo caminho.

São inúmeros os fatores que contribuem para o sucesso – ou insucesso – de uma start-up, tais como o acesso a financiamento e um plano de negócios sólido. Se olharmos para o panorama mundial, as discrepâncias são significativas, com os Estados Unidos a liderarem o ranking contra as start-ups europeias.

Mas afinal como é que as start-ups norte-americanas sobressaem em relação às europeias? O número de start-ups de sucesso aumentou ao longo dos anos na Europa, mas os EUA ainda são claramente o líder do setor, como se pode comprovar no Startup Ranking, que lista as melhores start-ups do mundo. Enquanto a Europa tem uma presença proeminente, os EUA dominam a lista, reivindicando 45 pontos do total de 100.

Stefan Debois, CEO do Survey Uniplace, uma ferramenta online de software para criar pesquisas, questionários e avaliações, escreveu no Entrepreneur as três coisas que as start-ups norte-americanas fazem melhor do que as start-ups europeias:

1.ª As start-ups americanas pretendem conquistar o mundo desde o primeiro dia

Pense na tecnologia que a maioria das pessoas usa todos os dias. As start-ups não são exceção. Os seus funcionários enviam email com o Gmail ou MailChimp, comunicam com a sua equipa através do Slack e procuram novos sítios para almoçar no Yelp.

As start-ups norte-americanas têm vantagens naturais, como mais acesso a capital e talento, mas os seus líderes também têm uma mentalidade diferente desde o primeiro dia. Os empreendedores nos EUA constroem os seus negócios com toda a intenção de se tornarem globais, enquanto as start-ups europeias estão mais aptas a atingir o crescimento de forma gradual.

Para o cofundador e CEO da Funnel.io, Fredrik Skantze, esta constatação deve-se ao facto de as empresas europeias se concentrarem mais no seu mercado doméstico.

“Isto é especialmente verdadeiro nos países europeus de maior dimensão, onde o mercado doméstico pode ser bastante grande”, disse Skantze, cuja empresa tem escritórios em Estocolmo e Boston. “Quando eventualmente decidem entrar num segundo país, muitas vezes ficam surpresos ao saberem que é muito mais difícil do que o mercado doméstico, já que é uma língua diferente, uma cultura diferente e não têm uma marca ou presença local nesse mercado”, acrescenta, sublinhando que as start-ups com uma mentalidade global comunicam melhor as suas intenções.

2.ª As start-ups norte-americanas conversam com concorrentes

“Encontrei-me recentemente com outro fundador de start-ups num restaurante, onde insistiu que nos sentássemos numa mesa longe de qualquer outro cliente. Como muitos outros fundadores de start-ups europeias, temia que os outros ouvissem a nossa conversa sobre os nossos negócios. Não tínhamos motivos para pensar que este era o caso, mas ele queria ser cauteloso para que os clientes do restaurante não ouvissem as informações confidenciais que discutimos”, escreve Stefan Debois.

Do outro lado do oceano, os Estados Unidos não sentem o mesmo medo dos concorrentes. Em vez disso, as empresas dos EUA têm maior probabilidade de estabelecer contactos com os seus concorrentes.

A Apple e a IBM estabeleceram uma parceria desde 2014, inicialmente para permitir que a Apple usasse os dados e análises da IBM em iPhones e iPads. Quatro anos depois, essa parceria expandiu-se, beneficiando ambas as empresas.

Para Frank Maene, CEO da Volta Ventures, empresa de Venture Capital, essa atitude é uma das razões pelas quais as start-ups dos EUA permanecem na vanguarda. “Os americanos conhecem a sua concorrência e sabem tudo sobre ela. Também sabem em que situação podem ganhar ou perder um acordo. Tudo depende das especificidades do cliente, das suas necessidades e em que medida o seu produto é a melhor solução”, disse Maene.

As start-ups europeias têm olhado para os concorrentes com ressentimento, mas enquanto esta atitude  permanecer a Europa continuará atrás dos EUA.

3.ª As start-ups norte-americanas disponibilizam ações aos funcionários

“A Europa está à beira da grandeza, mas corre o risco de não construir empresas do tamanho da Amazon, Facebook e Google, se não conseguir competir pelo talento que necessita”, disse Neil Rimer, sócio fundador da Index Ventures, ao Business Insider. Um estudo da Index Ventures, o Rewarding Talent, argumenta que, para alcançar o próximo nível, as start-ups europeias devem reter talentos, ao oferecer ações.

De acordo com o estudo, os funcionários norte-americanos possuem 20% das start-ups em estágio final. Na Europa esta percentagem cai para metade. O estudo também mostrou que, nos países europeus, mais de 60% das ações são guardadas para funcionários de nível executivo. Nos EUA, dois terços das ações são guardadas para colaboradores que não fazem parte dos quadros executivos.

Os europeus preferem fundos imediatos, como salários mais altos, em vez de ações. Um dos motivos prende-se com o facto de as ações estarem associadas a um certo nível de risco. Outra razão diz respeito ao facto de as empresas e dos colaboradores serem tributados em ações na Europa num valor “injusto”, explica Rimer, adiantando que possuir ações não atrai apenas talentos, mas cria nos colaboradores um sentido de propriedade do negócio.

Com empresas como a Spotify a ganharem popularidade, a Europa está a emergir como líder em start-ups. Mas, para competir com os EUA, os empreendedores têm de adotar uma mentalidade global desde o início, ver os concorrentes como ativos em vez de inimigos e reter talentos, oferecendo ações. Até lá, os Estados Unidos continuarão a liderar.

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