A First Round, dedicada ao investimento semente desde 2005 e onde nasceu a Uber, partilhou as 10 lições de investimento que aprendeu desde a sua fundação. Só nos últimos quatro anos investiram mais de 4 biliões de dólares e deram origem a 200 novas empresas.

A First Round nasceu na Califórnia em 2005, com o objetivo de preencher o vazio entre os business angels e o investimento de Série A. Na altura foi considerada por muitos uma ideia um pouco louca, mas que se revelou acertada e seguida por muitos outros.

O primeiro escritório da Uber foi numa das suas salas de reuniões até ganhar dimensão e partir para um novo espaço. Só nos últimos quatro anos de atividade, a First Round investiu mais de 4 biliões de dólares (cerca de 3,5 mil milhões de euros) e deu origem a 200 novas empresas.

A investidora norte-americana analisou os dados recolhidos durante os anos de atividade para reunir as 10 conclusões a partilhar com todo o setor. O objetivo foi dar resposta à questão: “Como se identifica um grande potencial de investimento semente?”

O método consistiu numa avaliação do desempenho de todas as empresas investidas, com base na sua valorização (ou perda) entre o investimento inicial e o seu valor de mercado atual (ou aquando do desinvestimento).

  1. As mulheres fundadoras têm melhores desempenhos que os homens fundadores

“Tivemos a sorte de apoiar muitas empresas fundadas por mulheres (a percentagem de empresas fundadas por mulheres que apoiámos é superior à média no investimento de risco norte-americano). Foi por isso que ficámos tão entusiasmados ao constatar que os nossos investimentos em empresas com pelo menos uma fundadora superaram de forma significativa os investimentos que fizemos em equipas exclusivamente masculinas”, explica a First Round. De facto, as empresas com pelo menos uma fundadora revelaram um desempenho 63% superior ao obtido pelas empresas com fundadores exclusivamente masculinos. Se olharmos para o Top 10 dos investimentos da First Round de sempre, com base no valor gerado para os investidores, três delas têm pelo menos uma fundadora mulher, o que ultrapassa a percentagem de fundadoras mulheres na área da tecnologia em geral.

  1. A riqueza favorece os jovens empreendedores

As equipas fundadoras com médias de idades abaixo dos 25 anos (aquando do nosso investimento) tiveram um desempenho quase 30% acima da média. A média de idades dos fundadores é de 34,5 anos, sendo no Top 10 investimentos de 31,9 anos.

  1. A escola que frequentou é importante

A investidora norte-americana analisou também se a escola em que o fundador se formou poderia ter impacto no desempenho da empresa. “Foi sem surpresa que constatámos que uma equipa com pelo menos um membro que tenha frequentado uma escola de topo (não cientificamente, mas definimos as oito que compõem a Ivy League, bem como a Stanford, o MIT e a Caltech) tende a ter um melhor desempenho. Ao olharmos para a nossa comunidade, 38% das empresas em que investimos tinham pelo menos um membro que tinha estudado numa destas escolas”, revelou. Falando em termos gerais, essas empresas tiveram um desempenho 220% melhor que as restantes.

  1. A atratividade dos anteriores empregadores é real

As equipas com pelo menos um fundador que tenha saído da Amazon, da Apple, do Facebook, Google, Microsoft ou do Twitter têm um desempenho 160% acima das restantes. Apesar de as escolas não gerarem um real impacto nas avaliações pré-investimento, as empresas de onde vieram sim. As equipas fundadoras com experiência em qualquer uma destas empresas conseguiram pré-avaliações 50% superiores às dos seus pares. Segundo a investidora, o que esteve na base deste facto está o o impacto dessas redes de contactos e as competências fundamentais que esse tipo de empregos providencia. Tratam-se de fatores que fazem claramente a diferença.

  1. Os investidores pagam mais quando são fundadores experientes

Embora a experiência empreendedora seja obviamente de valorizar neste estádio de investimento, a First Round constatou “que os nossos investimentos em fundadores que já tinham tido outros negócios não obtinham desempenhos significativamente superiores aos dos empreendedores pela sua primeira vez”. Este facto talvez se deva à avaliação inicial quando se tratou de negócios de empreendedores experientes, que tenderam a ser 50% superiores aos restantes. É interessante ver como o mercado valoriza repetidamente mais as empresas destes fundadores do os volumes já serem conhecidos.

  1. Os fundadores únicos têm muito pior desempenho do que quando pertencem a uma equipa

Ao olhar mais atentamente para as equipas fundadoras, a First Round pretendeu saber se a dimensão e a formação das mesmas gerava impacto no seu desempenho. Os resultados foram claros: equipas com mais do que um fundador tiveram melhor desempenho que se tratava de um só em 163%, com os fundadores únicos a obterem menos 25% de avaliações do que as com cofundadores. A dimensão habitual das equipas fundadoras é de dois elementos, o que coincide com o número ideal segundo a informação que recolhemos.

  1. Os cofundadores tecnológicos são fundamentais à empresa que não sejam dedicadas ao consumo

Com toda a discussão do setor sobre a importância dos cofundadores tecnológicos, foi-lhes questionado quão fundamental seriam para o sucesso. Constatou-se que realmente são muito importantes – no caso das empresas corporativas. Na verdade, estão a ter um tão bom desempenho na empresa – com 230% de melhor desempenho do que seus colegas não tecnológicos – que desviam a média dos dados, surgindo as equipas com um cofundador tecnológico com um desempenho global 23% acima da média. Mas esta não é a história toda. De facto, quando se tratam de empresas dedicadas ao consumo que contam com pelo menos um cofundador tecnológico, passam a apresentaram um desempenho 32% abaixo do das equipas não tecnológicas.

  1. É possível vencer fora dos grandes centros tecnológicos

A First Round pensava que a localização poderia fazer uma diferença igualmente dramática, mas estava enganados. As empresas em que investiram que foram fundadas fora de Nova Iorque e da área de Bay Area estão a ter um desempenho tão bom quanto o dos seus pares com sedes nesses epicentros. Das 200 empresas que foram analisadas, 25% sediaram-se fora dessas cidades e, em média, apresentaram um desempenho 1,3% inferior ao das empresas de Bay Area e de Nova Iorque. Mais uma vez, isso pode dever-se aos investidores fazerem pré-avaliações das empresas de Nova Iorque e São Francisco superiores às demais, mas, no entanto, tal não deixa de ser encorajador.

  1. O próximo grande sucesso pode vir de qualquer lado

Foram consideradas as centenas de investimentos que foram realizadas na última década e conclui-se que os melhores investimentos podem vir literalmente de qualquer lugar. Durante muito tempo, o investimento de capital de risco atuou com base na ideia de que as melhores oportunidades vinham de referências recebidas, no entanto, as empresas que descobrimos através de outros canais – Twitter, Demo Day, entre outros – superaram o desempenho das empresas referenciadas em 58,4%. Já os fundadores que abordaram diretamente a investidora com as suas ideias obtiveram um desempenho cerca de 23% superior.

  1. A ação está a passar de Sand Hill para São Francisco

À medida que o centro gravitacional da Bay Area muda da South Bay para São Francisco, os investidores fazem o mesmo, neste caso para a zona de South of Market. “Investimos por todo o país, mas quase metade das equipas fundadoras em que investimos iniciaram as suas empresas na Bay Area. Nos primeiros cinco anos da First Round, entre 2005 e 2009, investimos quase o mesmo entre São Francisco e o resto da Bay Area. Nos últimos cinco anos, o pêndulo pendeu decisivamente em direção a São Francisco, com 75% das investidas na Bay Area a começarem as suas empresas na cidade durante esse mesmo período”, explica a First Round.

Comentários