A Fábrica de Startups irá fazer 5 anos no próximo mês de abril.  Depois de 25 anos dedicados a criar as minhas empresas, decidi em 2012 iniciar uma nova etapa, agora no papel de promotor e facilitador do empreendedorismo em Portugal.

Os 5 anos que se seguiram, foram dedicados a realizar a missão Fábrica de Startups, ajudar as pessoas a serem empreendedores de sucesso. Agora, que se aproxima a data do aniversário, é tempo de balanço.

Foram muitos os projetos que fizemos, começando em 2012 com o Energia de Portugal, que se repetiu nos anos seguintes e que tinha como principal objetivo democratizar o empreendedorismo. Mais tarde, lançamos o Discoveries, um programa de aceleração, focado no setor do Turismo.  Fomos os primeiros a fazer programas de aceleração de ideias de negócio para empresas.

Inauguramos em 2014 o Startup Campus, um dos maiores espaços de incubação e aceleração da Europa, com 3000 m2 distribuídos por 6 pisos, bem no centro de Lisboa. Em 2015, realizamos o programa Consultores Digitais, com cerca de 500 pessoas, que, durante 5 semanas, participaram ativamente nossos bootcamps, embora estivessem distribuídas por 5 diferentes cidades.

No ano passado, iniciamos os nossos programas de descoberta de ideias de negócio e criação de equipas, com o Tourism Ideation Week e, alguns meses mais tarde, com o Ideation Week for Health.  Foi também no ano passado que realizamos o Startup Macau Forum, reunindo nessa cidade empreendedores de Portugal e da China.  Ao longo destes 5 últimos anos, tivemos mais de 1500 empreendedores que nos ajudaram a melhorar os serviços que prestamos e com quem muito aprendemos.

Destes anos de trabalho intenso, retirei muitas lições.

Neste artigo, gostaria de destacar as 10 mais importantes.

  1. Nunca foi tão fácil como agora criar uma empresa de sucesso. Hoje, é necessário muito pouco capital para iniciar um negócio.  Hoje, qualquer pessoa pode lançar uma empresa que, logo no primeiro dia, é uma empresa global. Mas dizer que nunca foi tão fácil não é dizer que é fácil. Na verdade, o percurso de um empreendedor está cheio de obstáculos e muitos não conseguem sobreviver mais do que alguns anos. Como uma criança recém-nascida, também uma empresa precisa de apoio nos primeiros anos da sua vida.
  2. O papel de uma aceleradora, como a Fábrica de Startups, é de ajudar os empreendedores a reduzir riscos e a ultrapassar obstáculos. Temos de contribuir para aumentar a taxa de sucesso dos empreendedores. Temos de ensinar os empreendedores a descobrirem os seus clientes, a desenharem o seu modelo de negócio e a validarem as hipóteses mais críticas, antes de lançarem os seus produtos ou serviços no mercado.
  3. Mais importante do que ajudar a obter financiamento por parte dos investidores é ajudar os empreendedores a alcançarem a sustentabilidade financeira, assegurando que conseguem receitas recorrentes e que controlam os seus custos.
  4. Os empreendedores portugueses devem dar prioridade, no seu esforço de internacionalização, aos mercados onde existem maiores vantagens concorrenciais, mercados como os da América Latina.
  5. Nunca é demais sublinhar a importância da equipa fundadora, as vantagens da diversidade de competências e a existência de uma liderança clara e respeitada por todos. Precisamos de desenvolver ainda mais a capacidade de os empreendedores trabalharem em grupo, definindo objetivos, distribuindo tarefas, monitorizando a execução e assegurando a comunicação entre todos os membros da equipa.
  6. Embora a qualidade da equipa seja determinante no sucesso de um projeto empreendedor, também é verdade que mais vale começar um projeto com uma boa equipa e uma boa ideia, do que com uma boa equipa e uma má ideia. Temos assim que dedicar mais atenção à descoberta de boas ideias de negócio, focadas na resolução de um problema importante, com uma solução inovadora, para um grande número de clientes.
  7. Não é suficiente disponibilizar um espaço onde os empreendedores possam trabalhar. Temos de ir mais longe e ajudá-los a percorrer o caminho da validação das suas ideias de negócio. Para crescer economicamente, Portugal não precisa apenas de mais empreendedores. Precisa de mais empreendedores com sucesso.
  8. Os empreendedores não estão só em Lisboa e arredores. Estão espalhados por todo o país.  Temos de ajudar os empreendedores nas diferentes cidades, transformando as incubadoras em aceleradoras e realizando programas de aceleração de âmbito nacional.
  9. Iniciativas como o Web Summit são importantes como forma de promoção do empreendedorismo. Ajudam a posicionar Portugal como um local onde pessoas vindas de diferentes países podem desenvolver os seus projetos empreendedores. Contribuem para que investidores estrangeiros dediquem mais atenção a analisar projetos de empreendedores nacionais. Mas, se forem o foco de todas as atenções, podem levar a que outros projetos de fomento do empreendedorismo em Portugal não consigam vingar, por falta de apoio das empresas e outras instituições.
  10. Empreendedorismo não significa apenas criar start-ups. Há muitas outras formas de empreender, tanto dentro das empresas, fomentando a inovação e a iniciativa dos colaboradores, como fora das empresas, incluindo a criação de um negócio desenvolvido em paralelo a uma outra ocupação, os chamados side-projects, ou um negócio focado em assegurar um determinado estilo de vida, também conhecidos como life-style businesses.

Temos em Portugal uma enorme capacidade empreendedora, em boa parte por explorar. Apesar do muito que já se fez, temos ainda muito trabalho para que ser empreendedor seja, para qualquer português, uma opção tão válida como uma outra qualquer profissão.

São ainda poucos os jovens que consideram ser empreendedores, imediatamente após terminarem o seu curso universitário. São ainda poucas as pessoas que decidem ser empreendedores, quando ainda estão empregados. São ainda poucos as pessoas que, tendo perdido o emprego, escolhem avançar com a criação de um negócio próprio. Precisamos de novas empresas, precisamos de novos gestores e precisamos de conquistar novos mercados.

É tempo de iniciarmos uma nova época empreendedora, a das Descobertas 2.0.

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Sobre o autor

António Lucena de Faria

António Lucena de Faria é sócio Fundador e Presidente da Fábrica de Startups, empresa criada em Abril de 2012. É também membro fundador da StartupPortugal, em representação da Fábrica de Startups. Foi o responsável pela organização e realização em 2012... Ler Mais